Magela ainda sonha com o Buriti

  Prioridade é a reeleição de Dilma e Agnelo. Mas ele está de olho no Senado em 2014

Derrotado no segundo turno das eleições de 2002, quando disputou com o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), o deputado federal Geraldo Magela disputou as prévias do PT em 2010 e perdeu para o governador Agnelo Queiroz. Mas ainda embala o sonho de um dia chegar ao Palácio do Buriti. “Não será em 2014, pois meu projeto para o próximo ano é reeleger o Agnelo e a presidenta Dilma Rousseff”, adianta.

Abrir mão da disputa pelo GDF não significa que o secretário, aos 57 anos, admita, a priori, ficar de fora da chapa majoritária. “Meu nome tem sido lembrado dentro do PT para uma candidatura ao Senado. E acredito que dez em cada dez petistas querem que o PT tenha um candidato ao Senado em 2014. Além de mim, o Chico Leite (deputado distrital) também é lembrado. Mas, primeiro, teremos que decidir se a vaga será do PT”.

Na segunda-feira (17), Geraldo Magela recebeu o Brasília Capital em seu gabinete na Secretaria de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano (Sedhab), onde concedeu esta entrevista. Além de política, falou da “revolução” que o governo Agnelo tem feito em sua área, cujo foco central é a construção de 100 mil unidades habitacionais para a população de baixa renda, além da rediscussão do uso do solo nas áreas tombadas do Distrito Federal.

            BC – O sr. está na Sedhab há dois anos. Como andam os projetos habitacionais do GDF sob sua gestão?

            Magela – Estamos construindo um processo de licitação das cem mil unidades habitacionais que o governador se comprometeu a colocar em construção. Primeiro, porém, é preciso esclarecer que, quando assumimos o governo, não havia nada preparado para uma política habitacional tão audaciosa quanto a que o governador determinou que fosse implantado. Segundo, a máquina governamental é muito lenta. Colocar em processo de construção cem mil unidades habitacionais é um processo muito difícil.

            BC – Quantas já foram concluídas até agora?

            Magela – Já entregamos cerca de quatro mil e temos 12 mil em construção.

            BC – Vai dar tempo de entregar as outras 84 mil unidades até o fim do governo?

            Magela – Não há possibilidades disso acontecer. Até começar a construção é um processo muito longo e lento. Precisamos definir a terra, ter o registro da área, o projeto urbanístico e a licença ambiental. Nós conseguimos concluir esse processo em tempo recorde. Não entregaremos as moradias. Elas estarão em processo de construção. Minha avaliação é de que, até o final de 2013, teremos todas licitadas e em processo de construção. Em 2014, algumas milhares estarão entregues.  Mas deixaremos todas as cem mil famílias selecionadas, já sabendo onde vão comprar, onde vão morar.

BC – Cem mil pessoas é a população de uma cidade de médio porte…

            Magela – Nós tomamos uma decisão inovadora. Não criaremos nenhuma cidade nova. Estamos fazendo adensamento das cidades já existentes. Por exemplo, adensaremos o Riacho Fundo II com três etapas novas, que vão totalizar cerca de 12 a 14 mil novos apartamentos, de 44 a60 metros quadrados, com dois ou três quartos, em prédios populares, de quatro andares. A maioria será de dois quartos. Não vai ter nenhum luxo, mas também não será nada mal acabado. Teremos algo adequado para as pessoas.

BC – Qual o custo dessas unidades habitacionais?

            Magela – Quem ganha até R$ 1600 vai pagar 5% da renda bruta. Mesmo que o apartamento custe R$ 76 mil, a família vai pagar, durante dez anos, 5% do seu salário. Para quem ganha acima de R$ 1601, teremos diversos financiamentos. Alguns casos vão ter que dar entrada, outros casos vão ter que dar uma entrada maior e o financiamento vai ser até 30% da renda familiar. Varia de situação para situação.

BC Isto, portanto, representa uma mudança de filosofia em relação ao que foi feito pelo ex-governador Roriz?

            Magela – Acredito que sim. Além de entregar as unidades habitacionais prontas, a grande vantagem é que nós vamos urbanizar essas áreas e escriturar cada imóvel. Antigamente, o governo dava um lote vazio, sem infraestrutura e sem documentação. Hoje, nós estamos entregando escrituras de terrenos em Samambaia, Santa Maria e Recanto das Emas, que foram feitas 20 anos atrás. Vamos trabalhar para entregar também equipamentos públicos, como escolas, creches e centros de saúde.

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