Lixo ofusca o Sol Nascente

As montanhas de lixo chegam a medir 4 metros de altura. Foto: Júlio Pontes

Moradores do Sol Nascente e QNP’s, em Ceilândia, vivem cercados de lixo. Sem acesso para os caminhões recolherem os resíduos na porta das casas, a sujeira se acumula em depósitos improvisados a céu aberto. Em pouco mais de um quilômetro, a reportagem do Brasília Capital encontrou cinco terrenos baldios infestados de entulhos, alimentos e até carcaça de animal. Entulhos acumulados chegam a medir 4 metros de altura e ficam a menos de 20m das casas.

Há 15 anos morando na Chácara 142, no Sol Nascente, José Holanda, conhecido como Galego, de 66 anos, convive com o lixo em seu ambiente de trabalho. O quiosque onde vende frutas e legumes fica dentro do terreno onde a sujeira é depositada. Por lá, passam carroceiros, moradores e donos de estabelecimentos comerciais que jogam fora o que não tem mais utilidade. Galego garante que o Serviço de Limpeza Urbana passa semanalmente no local. Porém, não é o suficiente.

“Piorou nos últimos quatro meses. Construíram um campo de futebol num terreno baldio aqui perto e o lixo, que era despejado lá, veio para cá. Perco clientes porque tem muito lixo e mosquito perto das minhas frutas. Faz três dias que o governo passou com seis caminhões para recolher o entulho e já está cheio novamente”, reclamou Galego.

A sujeira vai de entulho a carcaças de animais. Foto: Gustavo Goes

Doenças – Moradora da QNP 28, Tamara Alves, de 20 anos, afirma que o problema é antigo e reflete na quantidade de pessoas que contraem vírus transmitidos por mosquitos. Em 2013, ela própria ficou impossibilitada de estudar por conta da dengue. “Moro com quatro pessoas e, diariamente, passamos por essa área onde se acumula o lixo. E ainda tem o problema da fumaça. Queimam lixo a todo momento”, disse Tamara.

No momento em que a estudante reclamava, um homem ateava fogo em uma pilha de lixo doméstico. Segundo a Lei de Crimes Ambientais (nº 9.605/1998, artigo 54), essa prática é proibida por causar risco à saúde humana, segurança dos animais e destruir a flora.

Robson Portugal. comerciantes, de 42 anos. Foto Júlio Pontes

Alternativa – Há quem aproveite os materiais dispensados. O vendedor Robson Portugal, de 42 anos, recolheu seis pneus em meio ao lixão para plantar sua horta. Para evitar a ação de animais, em vez de fazer canteiros, ele cultiva frutas e verduras dentro dos pneus. Ele mora há um ano na QNP 28 e sempre consegue os materiais necessários em oficinas e no lixo.

SLU – Em nota, a assessoria de comunicação do SLU informou que há um cronograma de limpeza de pontos críticos de descarte irregular em Ceilândia duas vezes por semana, e que, na QNP 28 e QNN 29, a população pode contar com o Papa-Entulho, que recebe até um metro cúbico de resíduo por demanda.

 

 

 

 

“Quanto ao lixo doméstico, algumas ruas do Sol Nascente são muito estreitas, o que dificulta o trânsito dos caminhões de coleta. Pensando nisso, o SLU instalou 21 Papa Lixos na região, para que a população possa descartar os resíduos corretamente, evitando exposição e proliferação de vetores. A coleta nos Papa Lixo é realizada pelo menos duas vezes ao dia”, diz a nota. A empresa garante que está prevista a instalação de mais 350 Papa Lixos em pontos de difícil acesso dos caminhões.

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