Lembrando meu benfeitor mineiro

Com a intenção de resgatar a memória de meu benfeitor mineiro, relembro aqui a figura de Gerson Sabino (!), que marcou época no jornalismo esportivo nacional, embora hoje não seja citado pelos memoralistas da modalidade. Conheci-o em Belo Horizonte, em 1956, quando me encontrava em situação difícil.

Tudo começou quando Adhemar de Barros, ex-governador de São Paulo, e candidato no ano anterior à Presidência da República, prometeu a Samuel Wainer, dono de Última Hora, que lhe daria um jornal já montado em troca de que ele mandasse uma equipe para BH, a fim de promover sua campanha eleitoral.

Proposta aceita, o jornalista Clodomir Leite foi escolhido diretor. Por sua vez, ele me convocou para chefiar a reportagem do
referido matutino já equipado, inclusive com sede própria. E lá fomos nós, do Rio, rumo à capital mineira.

Como Juscelino levou a melhor no pleito eleitoral de 1955, Clodomir cobrou o cumprimento da promessa adhemarista. Mas se assustou ao constatar que todos aqueles bens estavam penhorados. A ordem de Wainer foi retornarmos à redação da UH. Por motivo afetivo à cidade (que saudades daquele legítimo feijão tropeiro!), resolvi ficar, sem saber que comeria o pão que o diabo amassou.

Foi a essa altura que conheci Gerson Sabino, advogado e diretor da sucursal da então poderosa Gazeta Esportiva, editada em São Paulo. À época, ele era uma fulgurante “estrela” da crônica esportiva. Sempre dedicado ao esporte, treinava o selecionado mineiro de basquetebol, campeão brasileiro e sul-americano, em 1947, sob o seu comando. Em seu rico currículo, constava ainda  a cobertura todas as Copas do Mundo de Futebol, desde 1938.

Ciente de minha condição de jornalista sem jornal (desempregado), Sabino me encomendou várias matérias para a Gazeta, pagando-me regiamente e adiantado, antes mesmo que as reportagens fossem publicadas. Além dessa ajuda essencial, ele sempre me dava sábios conselhos, tal qual meu pai.

Meu benfeitor mineiro foi embora deste mundo de egoístas aos 82 anos, mas deixou em sua trajetória uma lista enorme de bondades aos seus semelhantes. De minha parte, obrigado Gerson Sabino!Na certa você está sofrendo com esse selecionado do Felipão, juntamente com Deus, que é brasileiro.

(!) Gerson era o irmão mais velho do também jornalista e escritor Fernando Sabino.

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