Laudo pericial conclui que mancha surgida no lago, em outubro, era piche

IMG_2903A perícia realizada pelo perito judicial Jorge Botelho de Oliveira conclui que a imensa mancha surgida no lago Paranoá em outubro do ano passado, identificada inicialmente como óleo, é mesmo piche. O resultado pericial aponta se tratar de “hidrocarbonetos presentes em asfalto diluído de petróleo, causados pelas chuvas do dia 16 de outubro”. Ou seja, conforme informou, com exclusividade, o Brasília Capital, nas edições 133 e 134 (de 23/11/13 a 06/12/13), o produto encontrado no lago não derivou das caldeiras do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), mas sim, de resíduos de asfalto.

O estudo técnico solicitada pela Doutora Ana Carolina Ferreira Ogata, 8ª Vara Civil de Brasília, será determinante para inocentar a empresa Técnica, Construção, Comércio e Indústria Ltda, responsável pela manutenção das caldeiras do Hran. Ao mesmo tempo, poderá cancelar a multa de R$ 280 mil, aplicada contra a Secretaria de Saúde pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram). O laudo já foi apenso ao processo por antecipação de natureza de prova e depende apenas de homologação via sentença judicial. Não caberá mais qualquer questionamento.

Depois de dois meses sendo colhidos materiais e analisadas as provas, o perito Doutor Jorge Botelho, conclui, por meio dos cromatogramas de massas das amostras de asfalto retiradas da rua em obra na lateral ao Hran e semissólidos (material retirado do solo do fundo do lago Paranoá ao lado do Iate Clube), onde foi detectado o primeiro vazamento, observando à faixa dos mais pesados, que é clara a similaridade entre o material encontrado no lago e o retirado da obra asfáltica ao lado do hospital. “A amostra retirada do lago não foi produzida por óleo de caldeira, pois este material não contém quantidade expressiva de compostos pesados”, concluiu Botelho.

O resultado pericial foi recebido com bastante tranquilidade pelo advogado da empresa Técnica, Huilder Magno de Sousa. “Não nos causou surpresa a conclusão do laudo pericial, pois sabíamos que os laudos emitidos pela Universidade de Brasília foram feitos de forma apressada, sem as análises apropriadas para esse caso”, afirma Huilder.

 

         Entenda o caso

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Na manhã de 17 de outubro surgiu uma grande mancha no lago Paranoá, após intensas chuvas no dia e na noite anteriores. Inicialmente, técnicos do Ibram e da Secretária de Saúde acharam tratar-se de óleo das caldeiras do Hran.         No entanto, dúvidas surgiram em relação ao tipo de material colhido no fundo do lago e também em função das obras de pavimentação asfáltica que estavam sendo realizadas em vários locais, próximos ao Lago Paranoá.

Versões diferentes e acusações entre os próprios órgãos do GDF soaram negativamente, e foi solicitada uma análise da UnB, cujo Departamento de Química atestou como “semelhança” entre os materiais colhidos na caldeira do Hran e no Paranoá. O Ibram multou a Secretaria de Saúde em R$ 280 mil. Essa multa ainda não foi repassada para a empresa responsável pelas caldeiras do hospital.

Por: João Carlos Bertolucci

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