Julgamento do Carandiru prossegue

A segunda etapa do julgamento do Massacre do Carandiru prossegue hoje (30), às 10h, com os depoimentos das testemunhas de defesa. Os nomes das testemunhas não foram ainda confirmados, mas a expectativa é que sejam ouvidas quatro testemunhas presencialmente e duas terão seus depoimentos, que foram prestados na primeira etapa do julgamento, exibidos por meio de vídeos.

Ontem (29), no primeiro dia desta segunda etapa do julgamento, os trabalhos do júri duraram cerca de 13 horas. Foram ouvidas as testemunhas de acusação. A primeira a ser ouvida foi o perito criminal Osvaldo Negrini Neto. Em seu depoimento, o perito descartou a hipótese de que haja ocorrido confronto entre policiais e detentos no massacre.

“Se houvesse confronto, haveria vestígios nas paredes opostas [às paredes das celas]. No terceiro pavimento, [havia] só [marcas de] dois disparos no corredor, próximos à porta da cela, [indicando] que foram dados de frente para a cela”, disse o perito aos promotores Fernando Pereira Filho e Eduardo Olavo Canto. Segundo ele, os disparos foram feitos da soleira da porta para dentro da cela, indicando que os disparos foram feitos pelos policiais e não pelos detentos.

Negrini Neto já foi ouvido em abril, na primeira etapa do julgamento sobre o Massacre do Carandiru, quando 23 policiais militares foram condenados pela morte de 13 detentos, ocorrida no segundo pavimento (ou o primeiro andar do pavilhão). Nesta segunda etapa do julgamento do massacre, 26 policiais militares são acusados pela morte de 73 detentos no terceiro pavimento (que corresponde ao segundo andar) do Pavilhão 9 do antigo presídio.

Após o depoimento de Negrini Neto, os promotores do caso apresentaram três vídeos com depoimentos de testemunhas ouvidas no primeiro bloco do julgamento, em abril . O primeiro vídeo exibido foi o do ex-detento Antônio Carlos Dias. Em seu depoimento, Antônio relatou as circunstâncias em que os policiais militares invadiram o presídio e como abordaram os presos. “Se olhasse na cara do policial, eles atiravam. Eu presenciei isso. Não lembro do rosto de nenhum porque sai da cela olhando para o chão”, declarou.

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