Josué de Castro, cidadão do mundo

Sob o título acima, a TV Globo apresentou nesta semana as várias nuances da vida desse personagem que era mais conhecido e respeitado na Europa e nos Estados Unidos do que aqui no Brasil, onde nasceu. A propósito, seu cabedal de conhecimentos diversificados só podia servir de orgulho a qualquer pessoa nascida neste planeta: médico, professor, sociólogo, pesquisador e cientista, eleito presidente devárias entidades internacionais.

Josué de Castro nasceu no Recife, no dia 5 de setembro de 1908, filho de família da classe média, mãe professora, com quem fez seus primeiros estudos em casa. Ainda adolescente, complementou seu curso universitário na tradicional Faculdade Nacional de Medicina do Brasil, no Rio de Janeiro, onde permaneceu seis anos.

Em 1929, já formado, volta para o Recife, preocupado com as condições de saúde da população, o que o levou a desenvolver trabalhos de pesquisas em problemas ligados àalimentação e habitação em diversos bairros operários da capital pernambucana.

E já os seus primeiros estudos o levaram a descobrir que a fome era uma verdadeira catástrofe social. Sobre o assunto, escreveu vários livros, sendo um dos mais importantes “Geografia da Fome”, best-seller publicado em 1946. Essa extensa obra, acoplada às suas brilhantes palestras internacionais, lhe valeram vários prêmios, entre os quais o Prêmio Franklin D. Roosevelt e Prêmio Internacional da Paz.

Lecionou em vários Universidades, inclusive no Brasil, quando o conheci na Faculdade Nacional de Filosofia, meu professor no curso de Ciências Sociais, e que posteriormente ficamos amigos, depois que o acompanhei como repórter numa viagem pelo Nordeste. Em 1963, quando recebeu a comunicação telefônica do Itamaraty de que tinha sido indicado pelo presidente João Goulart para ser embaixador do Brasil na ONU, eu me encontrava estudando na biblioteca de seu apartamento, em Copacabana, ocasião que me convidou:

– Meu filho, arrume suas malas e me diga em que repartição pública acumula a função de jornalista, para que eu solicite as passagens para você e sua família, pois você vai ser meu assessor de imprensa!

Não, em toda a minha vida de repórter eu jamais acumulei a função como falso funcionário público, só pra receber a grana no fim do mês, o que era comum à época. E perdi a viagem.

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