Intolerância alimentar X Alergia alimentar

As reações adversas aos alimentos são caracterizadas por qualquer reação anormal à ingestão de alimentos ou aditivos alimentares. Elas podem ser classificadas em tóxicas e não tóxicas. As reações tóxicas dependem das propriedades da substância ingerida, como por exemplo, toxinas bacterianas presentes em alimentos contaminados. Já as reações consideradas não tóxicas dependem da susceptibilidade individual de cada organismo.

As reações não tóxicas são classificadas em não imuno-mediadas, como é o caso da intolerância à lactose, aonde o indivíduo apresenta uma redução na produção de lactase (enzima intestinal que faz a digestão do açúcar do leite, a lactose), de tal forma que sente manifestações clínicas intestinais como desconforto, gases e diarréia. Há ainda as reações imuno-mediadas, chamadas de hipersensibilidade alimentar ou alergia alimentar, que é um termo usado para descrever reações adversas a alimentos dependentes de mecanismos imunológicos, mediados pela Imunoglobulina E (IgE) ou não.

A alergia alimentar é mais comum em crianças. Estima-se que a prevalência seja de aproximadamente 6% em menores de três anos e de 3,5% em adultos. Já a intolerância alimentar parece ser mais freqüente em adultos, principalmente essa relacionada ao açúcar do leite.

A alergia alimentar por leite de vaca, ovo, trigo e soja desaparecem, geralmente, na infância ao contrário da alergia a amendoim, nozes e frutos do mar que podem ser mais duradouras e algumas vezes por toda a vida.

Os fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento de alergia alimentar estão relacionados a fatores genéticos, e a fatores nutricionais, relacionados à dieta da gestante e nutriz (ainda um pouco controverso na literatura), além da idade correta da introdução de alimentos sólidos e de alimentos considerados “alergênicos”, além da exposição das crianças a aeroalérgenos. Crianças que apresentam fatores de risco presentes para o desenvolvimento de alergia devem ter o aleitamento materno ainda mais estimulado e prolongado (até dois anos ou mais).

Um fator protetor para reduzir o desenvolvimento de alergia alimentar é a manutenção de uma microbiota intestinal (flora intestinal) saudável. Alguns alimentos considerados probióticos, e que já foram abordados nesse espaço em edição passada, como é o caso de iogurtes encontrados no mercado com lactobacilos vivos, apresentam um efeito benéfico relacionado à restauração da permeabilidade intestinal, equilíbrio dos microorganismos presentes no intestino, e consequentemente ajudam a modular a resposta inflamatória, melhorando a resposta imunológica do organismo, com melhora das funções de barreira do epitélio intestinal.

 

 

 

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