Grilagem avança em Vicente Pires

 

            Posseiros invadem área de proteção ambiental e ameaçam regularização fundiária

A Secretaria da Ordem Pública e Social (Seops) confirmou, por meio de nota, na sexta-feira (26) que é procedente a denúncia publicada na edição 102 do Brasília Capital (20 a 26 de abril) de grilagem de terras em Vicente Pires. A invasão está localizada às margens da Estrada Parque Taguatinga (EPTG), em frente às chácaras 122 e 123 da Colônia Agrícola Samambaia.

Na manhã de sexta-feira (26), os agentes da Seops foram ao local e constataram que há uma construção em área pública, inclusive com plantação de milho, e cercamento com arame farpado, conforme informou a reportagem. O órgão afirma que, partir dessa confirmação, será levantada toda a situação dos ocupantes e também da área. Se não houver impedimento para a ação do Estado, o terreno será incluído no cronograma de operações do Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo. Desta forma, a invasão poderá ser erradicada na próxima fiscalização a ser realizada em Vicente Pires.

As irregularidades não param por ai. Na quarta-feira (24), o Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo, coordenado pela Seops, removeu duas novas construções irregulares na cidade, nas Chácaras 32 e 56. As obras ilegais estavam localizadas em área de proteção ambiental (APP), beirando a mata ciliar do córrego Vicente Pires.

A Seops informou, ainda, que de 1º de janeiro a 25 de abril de 2013, realizou dez operações em Vicente Pires, com a erradicação de 29 edificações, oito bases (fundações), 1.195 metros lineares de cerca e outros 170 metros lineares de muro.

Regularização

Com a aprovação da viabilidade ambiental de Vicente Pires, pelo Conselho Distrital de Meio Ambiente (Conam), no início de abril, a regularização fundiária de Vicente Pires se aproxima. E isto aguça a ganância dos grileiros.

O Brasília Capital procurou o administrador interino de Vicente Pires, Ebenezer Aquino, que não retornou as ligações da reportagem. Assim, ficam em aberto alguns questionamentos, como a estratégia de combate aos parcelamentos ilegais e de que forma a Regional pode colaborar com outros órgãos de fiscalização do governo.

Combate

Irregularidades fundiárias, invasões de terras públicas, parcelamento fraudulento e ocupações ilegais são apenas eufemismos para o grande mal que assola o DF – a grilagem. Na quinta-feira (25), mais de 20 pessoas foram presas, na região da Estância III, em Planaltina, por invasão de área destinada a construção de 4,2 mil unidades habitacionais do Morar Bem. Somente em abril, mais de 50 pessoas foram presas em flagrante no local, suspeitas de grilagem.

O secretário da Ordem Pública e Social, José Grijalma Farias Rodrigues, diz que a área continuará sendo monitorada. “Aquela é uma área destinada ao programa Morar Bem e que vai beneficiar pelo menos 4,2 mil famílias que respeitaram os critérios e a lista de espera do governo. É preciso que as pessoas entendam que a farra de lotes acabou e que ninguém vai furar a fila do programa habitacional”, afirma.

A situação não é diferente em Ceilândia. Conforme publicado na edição 102 do Brasília Capital, o setor habitacional Sol Nascente, com iminente regularização, está sempre na mira dos grileiros. Na quarta-feira (24), órgãos do GDF erradicaram mais de 200 metros lineares de cercas que demarcavam área pública no local. Nenhuma pessoa foi presa durante a operação.

Gama

O Núcleo Rural do Gama também está na lista dos grileiros. No setor Ponte Alta, que aguarda o processo de regularização fundiária, fiscais do GDF removeram três construções ilegais em área de proteção ambiental.

Correio Braziliense mostra problema em Brazlândia

Após a reportagem do Brasília Capital, o Correio Braziliense também mostrou o crescimento da grilagem. Em reportagem publicada na quinta-feira, o jornal denunciou a criação da chamada Vicente Pires 2, às margens da DF-001, entre Taguatinga e Brazlândia. São mais de 4 mil pessoas morando de forma irregular numa área pública originalmente destinada à implantação de um novo cemitério, na Colônia Agrícola Cana do Reino.

 

Por Wanúbia Lima

Deixe um comentário