Globo x Flamengo, o novo clássico dos milhões

Arte: Brasília Capital

Após ter o seu reinício marcado pela pressão do Flamengo e pela briga de Botafogo e Fluminense contra a decisão da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (FERJ pela volta dos jogos, o Campeonato Carioca ganhou mais destaque fora das 4 linhas: o novo clássico dos milhões, envolvendo o Flamengo e a TV Globo. O título, até então, pertencia à rivalidade entre o rubro-negro e o Vasco.

A desavença é pela falta de acordo sobre os direitos de transmissão e envolve milhões de reais. É o Flamengo, que sempre teve prioridade na programação esportiva das emissor abertas e por assinatura do sistema Globo, se voltando contra o seu mais forte parceiro histórico para o crescimento de sua torcida nas últimas décadas.

Bolsonaro – A relação entre o rubro-negro e a emissora vinha estremecida desde o início do ano, quando não chegaram a um acordo para a transmissão dos jogos. Mas ficou ainda mais tensa quando o presidente do Flamengo visitou o presidente da República, Jair Bolsonaro, em Brasília.

Logo após o encontro foi publicada a Medida Provisória (MP) 984, dando o direito de transmissão aos clubes mandantes das partidas nos campeonatos estaduais e nacionais. Na quarta-feira (1º), o Flamengo, único clube que não possui contrato com a Globo para o Carioca, se beneficiou da MP e transmitiu a partida contra o Boavista pela FlaTV, no YouTube.

Foi um sucesso. Bateu recorde de transmissão esportiva no YouTube, entrou no top-10 de lives de todos os gêneros, alcançou 14 milhões de visualizações, com pico de 2,2 milhões de acessos simultâneos, ganhou 450 mil novos inscritos no canal e ainda arrecadou cerca de R$ 700 mil com a venda de ingressos virtuais, além de outros valores com patrocinadores e com monetização do YouTube, que ainda não foram revelados.

Digital chegou para ficar, mas a TV continua forte

A transmissão esportiva em novas plataformas de streaming já era uma realidade antes mesmo da partida de quarta-feira. Em 2017, Athletico e Coritiba foram os primeiros a inovar e transmitiram o clássico paranaense entre eles no YouTube e Facebook após não entrarem em acordo com a Globo.

Além do exemplo brasileiro, vários campeonatos europeus já foram transmitidos em TV aberta e agora possuem jogos no DAZN, que também possui os direitos da Copa Sul-americana.

Apesar do crescimento do streaming, a TV ainda segue com o maior potencial de alcance.

No mesmo horário de Flamengo x Boavista na FlaTV para todo o Brasil, a Globo transmitiu Botafogo x Portuguesa para o Rio de Janeiro, Distrito Federal, Juiz de Fora (MG) e mais 13 estados. O jogo do alvinegro teve um pico de 3,9 milhões de pessoas assistindo, quase o dobro do do rubro-negro, mesmo não sendo transmitido para todo o Brasil.

Será o início do fim dos estaduais?

A discussão sobre o modelo de negociação de direitos de transmissão de jogos é justa e deve acontecer, assim como o debate sobre o modelo dos campeonatos estaduais, mas de modo que os clubes unam-se em prol de um futebol brasileiro mais forte para todos e não para apenas um. Com a ruptura da Globo com o Campeonato Carioca, a edição do torneio em 2021 fica ameaçada.

Os clubes pequenos dependem das cotas de televisão e da exposição na TV para serem mais atrativo e, assim, conseguirem captar patrocínios. Sem o dinheiro e sem a exposição, o orçamento será mais baixo e a distância técnica para os grandes será ainda maior, gerando mais desequilíbrio em um campeonato já decadente.

A maioria dos clubes não tem condições de fazer a própria transmissão, como fez o Flamengo. E mesmo que consigam, será difícil arrecadar algo perto do que a Globo pagou até este ano.

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