Gesto é um detalhe

 

Continências. Reprodução Facebook

Em plena crise econômica e política, os brasileiros lutam mais ainda para realizar seus sonhos. Entre esses batalhadores, estão os atletas olímpicos. Mas neste caso, as Forças Armadas são a ponte para a realização do sonho por uma medalha. Dos 465 atletas da delegação brasileira nas Olimpíadas do Rio 2016, 145 são militares. Este número equivale a 31%, representando Marinha, Exército e Aeronáutica. Mas por que tantos e por que formam a maioria entre os vencedores?

O governo brasileiro tem uma série de incentivos ao esporte como o Bolsa Atleta e o Bolsa Pódio, mas essa ajuda não é suficiente para as necessidades dos que se dedicam ao esporte. Mesmo para aqueles que ainda conseguem pequenos patrocínios. Assim, o Ministério do Esporte e as Forças Armadas firmaram um acordo, a exemplo dos que existem em outros países. Há a incorporação de atletas numa das três forças que, além de se tornarem militares, ingressam em programas específicos.

O Ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou que para 2017, o governo federal deve manter o mesmo investimento deste ano no Programa de Atletas de Alto Rendimento (PAAR) do Ministério da Defesa. Isso representa cerca de R$ 18 milhões. “Esse programa é muito importante. Estamos negociando com o Ministério do Planejamento para que pelo menos sejam destinados os recursos de 2016”, completou o ministro.

 

Como participar?

A seleção é feita por meio de edital específico. O candidato ingressa como sargento e pode ficar na força por 8 anos. Além dos treinos na modalidade de cada um, a rotina é a mesma dos demais militares incluindo aí os cursos e atividades específicas. “O programa das Forças Armadas consiste em apoio a treinamentos e assistência médica, odontológica, fisioterapêutica, entre outros benefícios. Esses atletas militares recebem também um salário de cerca de R$ 4 mil, correspondente ao cargo que ocupam, para poderem se dedicar exclusivamente aos treinos. Além disso, recebem uma Bolsa Pódio e podem usar as instalações das corporações para os treinamentos”.

Os benefícios citados são apresentados na divulgação do programa. Além da convocação por meio de edital público, nas modalidades esportivas de interesse de cada uma das forças, a segunda etapa é feita por prova de títulos (currículo esportivo/resultados/ranking nacional). Esses editais são publicados de acordo com as necessidades das Forças Armadas, normalmente duas vezes por ano.

Nestas Olimpíadas toda a seleção feminina de judô é da Marinha, e a masculina é composta por militares do Exército. Arthur Zanetti, prata nas argolas, e Arthur Nory, bronze no solo, são 3º Sargento da Aeronáutica, assim como Felipe Wu, prata no tiro. Poliana Okimoto, bronze na maratona aquática, também é 3º Sargento, mas do Exército.

Mas não são apenas esses selecionados que estão participando. Militares de carreira de diversas patentes, como soldados, cabos, majores e coronéis também integram a delegação na  Brasileira na Rio 2016. Os atletas militares estão distribuídos nas 27 modalidades olímpicas. Além do judô, da ginástica, da natação e do tiro, há basquete, boxe, ciclismo, esgrima, futebol, golfe, handebol, hipismo, hóquei sobre grama, levantamento de peso, maratona, nado sincronizado, pentatlo moderno, remo, saltos ornamentais, taekwondo, triatlo, vela, vôlei e vôlei de praia.

Muitos outros atletas participam como João Victor Oliva, filho da jogadora de basquete Hortência, pelo Hipismo, e Yane Marcia, do pentatlo moderno, que levou a bandeira à frente da delegação brasileira na abertura dos jogos.

Como uma ponte entre o sonho e a medalha, o programa vem deixando feliz a torcida brasileira, que estranha a continência dos vencedores, mas aplaude e vibra com seus resultados.

 

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