Geração empresarial

Janine Brito (*)

Há cerca de 30 anos, aproximadamente, as pessoas propagavam a ideia de que empresas familiares fechavam as portas antes da terceira geração. Essa ideia intrigou o americano John L. Ward, especialista em gestão de empresas familiares, que decidiu realizar uma pesquisa sobre o desempenho desses empreendimentos.

Segundo o estudo do americano, negócios familiares têm 26% de retorno do capital investido em comparação à taxa de 21% das demais. Mesmo com o tempo e o lucro maiores, apenas 20% delas sobrevivem mais que 50 anos, de acordo com John Ward. A pesquisa do especialista faz muito sentido. Governar um negócio da família não é nada fácil. É preciso ter muita disciplina, responsabilidade e compromisso.

É comum que o empreendedor empregue parentes ou amigos próximos em sua empresa, já que há vantagens em trabalhar com pessoas que, além de confiáveis, dificilmente geram problemas trabalhistas. A geração empresarial, que costuma passar o negócio de pai para filho, carrega consigo a importância de manter a empresa da família em contínuo crescimento.

A escolha de um parente em detrimento de alguém mais preparado, a dificuldade do fundador da empresa em passar seu legado para seus sucessores e a rivalidade entre parentes são alguns pontos negativos mais comuns que podem existir numa empresa familiar. Enfrentar esses obstáculos e saber administrar todos esses conflitos existentes faz do empreendedor exemplo de liderança e de lugar de destaque no mercado competitivo.

O que considero mais importante é a capacidade dos fundadores em adotar um comportamento de protetores e vigias do negócio, porém, com a sabedoria para formar profissionais dentro da própria família, estimulando e provocando a preparação de cada interessado, sem coibir talentos. Governar uma empresa familiar vai muito além da governança convencional.

(*) Diretora Executiva da Ferragens Pinheiro

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