Geddel Tomba, Temer Treme

Presidente interino, Michel Temer, durante reunião com líderes. Foto Lula Marques/Agência PT
Presidente interino, Michel Temer, durante reunião com líderes. Foto Lula Marques/Agência PT

O Governo Temer terminou a semana na maior crise de sua curta existência de seis meses. Denúncia de que o agora ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima fez pressão para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) liberar a construção de prédio em área tombada em Salvador (BA), colocou o presidente da República no centro do escândalo. E com prova.

O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que deixou o governo no último dia 18, contou que pediu demissão por causa da pressão. E, sabe-se agora, o próprio Michel Temer  e o ministro o da Casa Civil, Eliseu Padilha, também pressionaram Calero a atender os interesses de Geddel, que pediu demissão do cargo nessa sexta-feira (25).

Gravações – Foram entregues à Polícia Federal gravações das conversas de Calero com Temer, Padilha e Geddel. O depoimento do ex-ministro da Cultura já foi enviado ao Supremo Tribunal Federal. O caso adquiriu contornos dramáticos para o governo federal. No Congresso, a oposição já se mobiliza para defender o impeachment de Temer.

Essas gravações demoveram Geddel de lutar para continuar no cargo, como ele próprio havia prometido. Isto com apoio de Temer e aliados políticos no Congresso Nacional. O prédio que teve a construção embargada pelo Iphan é de interesse de toda a família do ex-ministro.

Família – No pedido de demissão enviado a Temer na sexta-feira (25), onde o chama de “fraternal amigo”, Geddel disse que havia chegado ao seu limite: ver seus familiares sofrendo por causa do escândalo. Mas, a imprensa noticiou que a família do ex-ministro está envolvida com o empreendimento muito além da compra de um apartamento pelo próprio Geddel.

Marcelo Calero contou que o escritório de advocacia de um primo de Geddel, Jayme de Souza Vieira Lima Filho, atua, desde 2014, pela empresa responsável pelo edifício La Vue, a Porto Ladeira da Barra Empreendimento Ltda. O embargo da obra ocorreu porque contraria o tombamento de construções históricas em volta do prédio.

Sócio – Em 18 de fevereiro de 2014, um sócio do escritório de Jayme assinou o contrato social da Porto Ladeira da Barra Empreendimento Ltda., sociedade de propósito específico criada pela construtora Cosbat Engenharia, exclusivamente para administrar o empreendimento.

Na Junta Comercial de Salvador, o documento que cria a empresa responsável pelo La Vue é assinado pelo advogado Igor Andrade Costa, único sócio de Jayme na firma de advocacia. Desconfia-se que o envolvimento de Geddel com a construção do prédio não termine por aí.

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