GDF entrega viaduto de Taguatinga em dezembro

Após 70 dias no cargo, o empresário que atua na cidade há mais de 40 anos e mora na QNA, fala de seu ritmo “discreto” de trabalho. Foto: Antônio Sabino

A maior obra de Taguatinga nos últimos anos será entregue em dezembro. A ampliação do viaduto que liga o centro da cidade à EPTG, em execução há mais de dois anos, será entregue em dezembro, confirma o administrador regional Geraldo Araújo nesta entrevista exclusiva ao Brasília Capital.

Após 70 dias no cargo, o empresário que atua na cidade há mais de 40 anos e mora na QNA, fala de seu ritmo “discreto” de trabalho, distante das redes sociais, ambiente onde sua antecessora, Karolyne Guimarães, era “figurinha carimbada”.

Geraldinho da Globo Esporte, como é mais conhecido em Taguatinga, cita parcerias com os deputados distritais Agaciel Maia (PR), seu padrinho político, e Reginaldo Veras (PDT), morador da cidade, para garantir recursos para as obras reivindicadas pela população. “A primeira coisa que implantamos foi o gabinete de portas abertas para qualquer assunto, com quem quer que seja”.

Qual a dificuldade de suceder Karolyne Guimarães, a primeira mulher administradora de Taguatinga, que tinha como uma das marcas a presença constante nas redes sociais. O que você tem feito que a população ainda não tomou conhecimento? – Isso é uma questão de estilo. Cada um tem o seu perfil de trabalho. Eu sou mineiro, e mineiro é aquele cara que gosta de trabalhar, mas não gosta muito de rede sociais. Sou empresário e um pouco mais retraído.

O que já foi feito na cidade nesses 70 dias? – Taguatinga tem suas carências e suas reivindicações, e exige muito trabalho. A primeira coisa que implantamos foi o gabinete de portas abertas para qualquer assunto, com quem quer que seja. O segundo ponto é que todas as quartas-feiras eu despacho do parque de serviços, na QNG. Começamos o trabalho com uma reunião das 7h30 às 10h, onde alinhavamos a programação de trabalhos externos para a próxima semana. Saindo do parque de serviços, nós andamos pela cidade, verificando as obras. E isso tem dado um efeito muito grande.

Que tipo de resultado tem sido obtido? – Nós detectamos vários problemas antigos, como uma rotatória que há mais de 10 anos era solicitada no Setor de Oficinas Sul, próximo ao Sesc, que será entregue nos próximos 10 dias, em parceria com a Novacap, e um estacionamento próximo ao CETN, de acesso ao Círculo Operário. Também começamos a revitalização de praças esportivas, uma reivindicação das lideranças comunitárias.

Como funciona o atendimento às lideranças comunitárias? – Nossa agenda é aberta para os líderes comunitários toda quinta-feira. Recebemos quatro pela manhã e quatro à tarde.

Quais deputados têm mandado recursos para Taguatinga? – Nós somos apadrinhados pelo deputado Agaciel Maia, que tem nos ajudado dentro das possibilidades dele. Mas a cidade é muito grande, e a gente tem que buscar outras fontes de recursos. Outro que tem nos ajudado muito é o Professor Reginaldo Veras, direcionando verbas para estacionamentos próximos as escolas. Ele direciona para a compra do material e nós entramos com a mão-de-obra.

Esses estacionamentos também beneficiarão o comércio? – Também. Três deles são próximos a comércios. Um na QSA, em frente à antiga Taguauto; um no setor do Mercado Norte, que é uma área mista entre a escola e o comércio, atrás da 17ª DP; um na Comercial Sul, na QSD, em frente ao Marista e ao Centrão; e outros nove.

O Reginaldo Veras quer fazer um calçadão na CSA… – Isso, desde a Lojas Americanas até ao antigo cartório. É uma obra para o ano que vem, porque nós temos que fazer um projeto e a Administração está sem o engenheiro. É um projeto grande. Nós já estamos também com uma verba de uma empresa para fazer o calçamento em frente ao Hospital Anchieta. Já está orçado e será executado de imediato pela Novacap.

“Quando assumi a administração, o Teatro da Praça estava para ser interditado por causa de questões de arquitetura. Então, nós identificamos o que deveria ser feito e providenciamos a reforma”. Foto: Orlando Pontes

Uma das grandes carências de Taguatinga é nas áreas de lazer e cultura. Como anda a manutenção do Complexo Cultural, na EIT? – Nós temos observado muito esse aspecto. Quando assumi a administração, o Teatro da Praça estava para ser interditado por causa de questões de arquitetura. Então, nós identificamos o que deveria ser feito e providenciamos a reforma, trocando toda a parte elétrica. Já no último final de semana aconteceu lá um festival de dança, evento viabilizado pela Administração.

Por que o governo não investe mais no Centro Cultural Teatro da Praça? – Aquele complexo é operado entre as Secretarias de Cultura e de Educação, e pertence à Secretaria de Educação. Lá funciona o Teatro da Praça, a biblioteca Machado de Assis, a biblioteca Braile e a Academia Taguatinguense de Letras, que foi tombada como Patrimônio Cultural, Material e Imaterial do Distrito Federal. Vamos fazer ali uma reforma completa, com a ajuda dos deputados Agaciel Maia, Reginaldo Veras e Jaqueline Silva. Faremos uma estrutura externa, com muro, calçadão, acesso com acessibilidade.

No final do ano passado foi feito um acordo entre a Administração e a Universidade Católica para transformar a área em frente à universidade em um parque. Quando isso sairá do papel? – De fato, o processo ainda está na fase dos papéis. O Ibram e a Secretaria de Cidades estão com a documentação. A Administração apenas assessora com algumas informações técnicas. A gestão é do Ibram.

Então, o que significou aquele acordo feito em dezembro? – Foi um acordo para iniciar os trabalhos. Mas a obra vai demorar um pouco. Por isso nós temos investido no Taguaparque, onde temos 95 hectares e é um dos maiores parques abertos da região Centro-Oeste. São vários equipamentos, um centro cultural para 400 pessoas e um ginásio de esportes.

E como a população usa esses espaços? – Por meio de agendamento na Administração.

É gratuito? – Não. É cobrada uma taxa de utilização de área pública. Se for um evento de interesse da Administração se faz a dispensa do pagamento.

Quais outros equipamentos existem lá? – Temos também campo de futebol sintético, praças e a arena Arimateia.

Tem uma bomba no seu colo, que é a orientação da Procuradoria do GDF de retomada da área da Facita. A quantas anda esse processo? –São processos judiciais que estão andando há muito tempo e estão sendo encaminhado pela Procuradoria. Na legislação de propriedades a área da Facita pertence à Administração. Mas isso é apenas mais um quesito do processo que tem mais de 20 anos.

O presidente da ACIT, Justo Magalhães, está fazendo um centro de convenções lá? – Cada um é dono das suas atitudes. Infelizmente, não temos poder sobre as pessoas e cada um age como quer.

É possível a Acit manter a posse? – Eu prefiro não opinar, porque isso está em instâncias superiores. Prefiro que a área jurídica resolva.

Fale um pouco sobre o Parque do Cortado, que é vizinho à Facita. – É um espaço que toda população de Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, enfim, do DF, deveria conhecer. É maravilhoso. Supera o Taguaparque em questão de preservação ambiental, de belezas naturais, de fauna e flora. Mas é pouco visitado. Tem duas cachoeiras de dez metros de queda d’água, uma sequência de pontes de madeira muito bonita. Lá foi feito um investimento da MRV e da PaulOOctavio como compensação ambiental. Tem área de lazer muito grande, uma pista de cooper fantástica, um observatório para olhar os pássaros. A população de Taguatinga não conhece, não usa.

O que a Administração está fazendo para evitar os problemas que ocorrem todo ano durante o período das chuvas? – Temos trazido para Taguatinga o programa GDF Presente. Todos os órgãos do governo vão para as cidades e atuam em conjunto durante uma semana. A segunda etapa em Taguatinga começou na segunda-feira (14), na parte Sul. Na primeira fase, fizemos a limpeza da maioria dos bueiros da M Norte, calçadas, poda de árvores, reforma de praças. Desativamos um dos maiores lixões na M Norte. Enchemos o buraco com 80 caminhões de terra e resíduos de obra. Nesse local nós vamos plantar, no dia 26, 160 mudas de ipês e transformar o espaço em um parque de ipês. A comunidade agradeceu à Administração. Ao todo, erradicamos 7 lixões.

O que será feito em Taguatinga Sul? – Vamos retirar um lixão próximo à Boca da Mata e fazer um campo de futebol cercado com pneus para eliminar o acesso de quem joga o lixo por lá. Reformamos a praça de esportes da CSA 1, que era uma reivindicação muito grande. Estamos trabalhando na praça da QNA 26 e revitalizando a praça do Mercado Norte. Tem uma via em Taguatinga Sul, na 6/8 da Vila Dimas, que precisa de um projeto, porque é criação de uma avenida.

“A Novacap que está terminando o viaduto. É uma grande obra que teremos a felicidade de concluir em na nossa gestão, no próximo mês de dezembro”. Foto: Orlando Pontes.

Quando será concluído o viaduto do centro de Taguatinga? – A Novacap que está terminando o viaduto. É uma grande obra que teremos a felicidade de concluir em na nossa gestão, no próximo mês de dezembro. Está no período de maturação, que dura 25 dias. Foi concretado o tabuleiro e assim que começar a desenformar, a Novacap vai entrar fazendo as pistas.

Que outras obras serão feitas para dar vazão ao trânsito da EPTG? Só concluir o viaduto servirá apenas para transferir o gargalo para outro ponto… – A Novacap vai alargar também o viaduto da Samdu. Com isso, o fluxo de veículos no centro vai melhorar muito. Taguatinga tem 238 mil habitantes fixos e 700 mil habitantes, flutuantes, que utilizam a nossa cidade como passagem, utilizam nossos serviços, nosso comércio. Isso significa 1 milhão de pessoas por dia. Mas, com a ajuda do governador Ibaneis Rocha e dos secretários que estão envolvidos na gestão do DF nós estamos conseguindo fazer muitas coisas. A gente acredita que essa obra do viaduto há de melhorar muito a nossa cidade.

O viaduto é a cereja do seu bolo? – O próximo passo seria o Centro Administrativo, que vai trazer grandes restaurantes, novos empreendimento. Serão mais 15 mil pessoas de alto poder aquisitivo trabalhando e consumindo em nossa cidade.

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