GDF: A crise é o nosso negócio

No início do século XX, o nacional-socialismo alemão desenvolveu técnicas de propaganda para tentar alterar o cenário cultural da sociedade e promover a submissão das organizações profissionais e sociais daquele país à ideologia e política nazistas. Ao mesmo tempo, na Rússia de Lênin, um importante objetivo da propaganda comunista era o de se criar o Novo Homem Soviético, uma versão menos eugênica do cidadão cegamente obediente ao Estado. Sob o comando de Stalin, a propaganda e a manipulação da informação foram tão importantes quanto os assassinatos de críticos e o Grande Expurgo para criar um culto à imagem do líder e disseminar a visão de realidade como determinada pelo ditador.
Na pós-modernidade, a interação do homem com o mundo mudou. Alteramos o ambiente que nos cerca por meio das modernas tecnologias da informação e recriamos a realidade, não raras vezes, com elementos artificiais e transitórios. É a hiper-realidade, onde ficção e realidade se confundem.
Assim, não é de estranhar que o líder da nação mais poderosa do mundo, notório pelo programa “O Aprendiz” e um voraz consumidor de produtos da mídia, tente orientar as mentalidades de seus eleitores e a percepção que têm de sua gestão por meio de sua conta do Twitter. Com essa única ferramenta, criticam jornalistas e veículos de comunicação tradicionais, a Casa Branca virou cenário de uma nova espécie de reality show, onde o personagem central chama de fake news (notícia falsa) toda informação que o contraria.
No Distrito Federal, a tática do atual governo é fabricar ou deixar se avolumarem fatos negativos para criar soluções ou impor determinações e vontades sem a necessária discussão pela sociedade ou pelo Legislativo. Assim se criou, por exemplo, a remuneração por trabalho em tempo definido (TPD), para substituir as horas extras na Saúde. Para trazer esse arranjo à realidade deixaram se tornar uma crise a decisão do Tribunal de Contas do DF, que limitava as jornadas de trabalho e definia longos intervalos entre os plantões dos servidores da Saúde – uma coisa não tinha nada a ver com a outra.
No mais recente ato de ilusionismo, o governador fez uma aparição com ares de “bom moço”, para dizer que determinou à Procuradoria-Geral do DF que ingresse com recurso administrativo na Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico, para impedir o aumento na tarifa de água.
Em paralelo com Trump, que tenta moldar a realidade gritando “fake news!”, Rollemberg engendra problemas para apontar soluções mágicas para construir pelo menos para si mesmo a imagem (fake) de grande realizador, a custo de gorda verba publicitária. Fica pelo menos o alívio de saber que em outubro tem “paredão” e o eleitor poderá finalmente dizer “você está demitido!”
P.S.: Toda minha solidariedade ao arquiteto Carlos Magalhães da Silveira, que mantém a cabeça erguida contra a tentativa de censura por dizer o que pensa do atual governo.

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