Ganância – A ilusão que infelicita

Acostumados a viver em impunidade, a elite brasileira, empresarial e política, não percebeu quando o paradigma mudou. A justiça deixou de ser somente para pretos, pobres e prostitutas, e alcançou o topo da casta. Semanalmente, vemos desfilar pela TV figuras públicas, algemadas e humilhadas, a caminho dos presídios. A ganância “cegou” essas criaturas que passaram a acumular dinheiro público, desmedidamente, ignorando o mal que estavam fazendo aos milhões de miseráveis necessitados dos recursos públicos.

 Essas figuras presas, e outros aguardando julgamento, possivelmente leram Freud, e tomaram conhecimento da estrutura da mente: id, ego e superego. No id (inconsciente), o porão da individualidade. Ensinava Freud que as lembranças das ações nocivas são empurradas para o inconsciente, como defesa para o criminoso não sofrer, mas com o passar do tempo, o mau cheiro (culpa) subiria até a sala (ego), perturbando o equilíbrio da casa (mente). Antes de agir em cada ato nocivo, todos tiveram o aviso do superego, a censura presente em todos nós, mas mesmo assim agiram dolosamente (intencionalmente) e até com deboche.

Em todos eles, o traço comum: são ricos, instruídos, bem criados. Nenhum é pobre. Então, qual a explicação? Egoísmo doentio, despertador da ganância, que os fizeram ignorar as pessoas necessitadas, o País, a própria família, e até a possibilidade de supressão da liberdade. Esqueceram de pensar no valor incalculável da paz da consciência. Esqueceram porque todos devem conhecer o ensinamento de Alexandre, o Grande, na hora da morte: “me enterrem com os braços de fora do caixão para que todos vejam que não estou levando nada”. Paz de consciência não se vende nos mercados; não tem valor monetário e, por isso, não recebe importância dessa gente pobre, tão pobre, que só tem dinheiro.

Destarte, apesar de todos esses pesares, o momento é de otimismo. O País está sendo passado a limpo. Gradativamente, esses acontecimentos surtirão efeitos e, como foi para o fim da escravidão e colonização, uma nova consciência de pátria surgirá. A escravidão passou, o voto de cabresto passou, o voto censitário passou, o domínio português passou. Sairemos da adolescência para a juventude. Ainda não será a maturidade.

Esperamos que apareçam novos Andradas, novos Helder Câmara, novos Castro Alves, novos Tiradentes, novos Dragão do Mar, jangadeiro cearense que comandou o movimento contra o transporte de escravos do mar para a terra, e obrigou o Ceará a libertar os escravos cinco  anos antes da Lei Áurea. Precisamos de novos líderes para um novo tempo. Não devemos perder nunca a esperança em dias melhores. Cada pai, cada mãe, cada professor, cada orador, cada jornalista, tem a obrigação moral de infundir nos seus a esperança em dias melhores para nossa pátria.

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