Gabinete do Ódio é acionado para derrubar Mandetta

Está entre os assuntos mais falados do Twitter no Brasil na tarde desta segunda-feira (13) a hashtag #PedePraSairMandetta. As manifestações digitais seriam pedido para que o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta peça demissão do cargo. Estranho cogitar tal apelo popular em meio ao trabalho reconhecidamente bem executado pelo titular da Saúde.

No dia 6 de abril, a Folha de S. Paulo divulgou pesquisa sobre os trabalhos diante da pandemia do coronavírus. Os dados apontaram que 82% das pessoas que declaradamente votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018 classificam como ótimo ou bom o trabalho da pasta comandada pelo médico e ex-deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS).

Então, quem são as pessoas que agora pedem renúncia de Mandetta? Os perfis que usam a tal hashtag no Twitter são facilmente identificados como fakes. Costumam reproduzir (retuitar) muitos posts que outras contas, normalmente de aliados do presidente, publicam e pouco expõem sua vida pessoal, o que seria o real intuito da rede social. Outro indicativo seria a recente data de criação dos perfis.

O “Gabinete do Ódio”, expressão utilizada para nominar assessores que trabalham diretamente com o presidente e são responsáveis por disseminar notícias falsas na rede mundial de computadores, foi acionado para pressionar Mandetta a sair do cargo. Essa estratégia já derrubou outros ministros, como o general Santos Cruz, ex-titular da Secretaria de Governo.

Desde o começo da crise do coronavírus, o ministro da Saúde tem confrontado o presidente da República. Mandetta, baseado em dados, defende medidas de precaução, como o isolamento social. Já Bolsonaro, contraria as recomendações de todas as autoridades de saúde mundiais, e defende a volta da normalidade.

No último domingo (12), o Fantástico entrevistou o ministro, que pediu unificação no discurso e voltou a defender o isolamento como forma de evitar mais mortes no Brasil. Ele criticou, sem citar nomes, diversas atitudes de Bolsonaro. Coincidentemente, também consta entre os assuntos mais falados no Twitter a hashtag #EuNaoAssistoAGlobo.

Veja alguns tweets de perfis suspeitos que pedem a saída de Mandetta:

Apenas nas últimas 24 horas, Priscila Nunes retuitou 15 publicações. Entre elas, uma do perfil oficial de Jair Bolsonaro. Na foto, o monumento do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, estaria vestido com a bandeira da China.

A “brasileira” Lys tem apenas 7 seguidores e seu perfil foi criado em março de 2020. Além disso, na sua descrição utiliza #B38, fazendo referência ao número do novo partido de Bolsonaro, o Aliança Pelo Brasil.

https://twitter.com/Lys35371080?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Eembeddedtimeline%7Ctwterm%5Eprofile%3ALys35371080&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.bsbcapital.com.br%2Fgabinete-do-odio-e-acionado-para-derrubar-mandetta%2F

Phelippe se autointitula “Cristão, Conservador, Capitalista”. Nas últimas 24 horas o perfil tuitou 17 vezes a hashtag #PedePraSairMandetta. Dentre os conteúdos replicados está um post do perfil oficial do Presidente.

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