Filippelli defende independência do MDB

Cumprindo terceira quarentena devido à covid-19, Tadeu Filipelli elogia presidente do partido, Baleia Rossi, pela saída do Centrão. Foto: Luiz Xavier/Câmara dos Deputados

O deputado Tadeu Filippelli (MDB) é um dos políticos mais experientes do Distrito Federal. Aos 71 anos, já cumpriu mandatos na Câmara Legislativa e na Federal e foi vice-governador na gestão Agnelo Queiroz (PT), além de administrador de São Sebastião e secretário de Obras nos governos de Joaquim Roriz. No exercício do mandato como primeiro suplente de Celina Leâo (PP), nomeada secretária de Esportes do GDF, ele se posiciona como um “observador” do cenário político local e nacional.

Filippelli encerra nesta quarta-feira (29) o terceiro período de quarentena desde o início da pandemia da covid-19, por ter se encontrado com aliados que, posteriormente, testaram positivo para o novo coronavírus – um deles, inclusive, faleceu devido às complicações da doença. Acompanhe as observações de Filippelli nesta entrevista concedida ao Brasília Capital, por telefone, na manhã de terça-feira (28).

O que significa a saída do MDB e do DEM do Centrão? – Posso falar pelo MDB. O partido integrava o bloco muito por questões de formação de comissões e outras articulações na Câmara do que por participação do governo. Então, foi um movimento de reiterar uma postura mais independente.

Foi um gesto visando a sucessão de Rodrigo Maia na presidência da Casa? – MDB e DEM, juntos, têm mais de 60 deputados. Isto tem peso em qualquer situação.

O MDB está unido? – Creio que o partido poucas vezes teve tanta clareza do sentido de sua unidade interna. Estamos todos unidos sob o comando do deputado Baleia Rossi (presidente nacional da legenda), um líder no sentido mais amplo da palavra.

Como suplente, o senhor se sentirá à vontade para votar contra o governo, caso seja esta a orientação do seu partido? – Aos 71 anos, não tenho mais idade para me submeter a esse tipo de exigência em troca de um mandato. Votarei sempre, primeiro, com a minha consciência, e junto com o meu partido.

“A maior dificuldade de qualquer governante, neste momento, é equalizar suas decisões balanceando essa queda de braço entre a economia e as medidas de preservação da vida”. Foto: Reprodução/Instagram

Observando a atual bancada do DF, o senhor identifica alguma liderança em formação? – Sem dúvida, devido ao suporte que têm em suas assessorias, é preciso destacar o trabalho que vêm fazendo as deputadas Flávia Arruda (PL) e Paula Belmonte (Cidadania).

Elas seriam potenciais candidatas à sucessão de Ibaneis Rocha? – Ainda é muito cedo para esse debate.

Como é sua relação com o Buriti? – Respeitosa. Sou do partido que elegeu o governador. Fazemos parte do mesmo grupo político.

Acha que ele está agindo corretamente no enfrentamento da pandemia? – Esta crise sanitária trouxe junto, infelizmente, uma profunda crise política. A maior dificuldade de qualquer governante, neste momento, é equalizar suas decisões balanceando essa queda de braço entre a economia e as medidas de preservação da vida. Muito complicado.

E o pós-pandemia? – Todos teremos de nos reinventar.

O senhor está se reinventando? – Primeiro vamos esperar o resultado do teste da covid, que sai amanhã.

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