Filhos não educáveis

Muitos pais esforçados e generosos sofrem e se culpam quando algum filho não se educa. É um erro achar que podem educar todos os filhos. Às vezes não é possível. A educação depende da receptividade do filho. Depende da bagagem trazida para provocar a ressonância. O de fora acordando o de dentro. Sem ressonância a educação não é possível.

Sócrates dizia que ele era apenas uma parteira. Educar é tirar de dentro. Existem situações que, para não perder a oportunidade, a vida arruma remédios amargos para acordar o filho ingrato: cadeia, paralisia, cegueira, doença incurável. Todo defeito de caráter atrai o remédio adequado.

Quando Jerônimo Mendonça ficou cego e paralítico, sua avó desencarnada avisou-o: “prefiro ver você sofrendo do que fazendo os outros sofrerem”. Essa racionalidade é que deve ser entendida e aceita por parte dos pais de filhos ingratos.

Segundo Allan Kardec, os pais esforçados de filhos ingratos recebem de Deus a mesma homenagem daqueles que educaram seus. Quando Dr. Inácio encontrou sua mãe no além e se dirigiu a ela, como mãe ela o repreendeu: “me chame de irmã. Não sou sua mãe. Estive sua mãe”. Os pais são encarregados dos filhos. O pai e mãe de todos é Deus.

Kalil Gibran ensinou: “teus filhos não são teus filhos. São filhos e filhas da vida, anelando por si própria. Vêm através de ti, mas não de ti. E, embora estejam contigo, a ti não pertencem. Podes dar-lhes amor, mas não teus pensamentos, pois que eles têm seus pensamentos próprios. Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas, pois que suas almas residem na casa do amanhã, que não podes visitar sequer em sonhos. Podes esforçar-te por te parecer com eles, mas não procureis fazê-los semelhante a ti, pois a vida não recua, não se retarda no ontem.Tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparados. Que a tua inclinação na mão do Arqueiro seja para alegria”.

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