Fernando Marques: O senador do desenvolvimento

Dono do maior patrimônio pessoal dentre todos os concorrentes a cargos eletivos nas eleições deste ano no País, Fernando Marques (SD), 64 anos, quer ser o senador do desenvolvimento, do emprego de qualidade e da qualificação profissional dos jovens. Ele acomerçou a trabalhar aos 17 anos no laboratório do pai, que tinha apenas cinco funcionários. À época,  passou a fazer o curso de Contabilidade à noite para poder trabalhar durante o dia. Acabou se transformando num dos maiores empresários do ramo de medicamentos do País. Seu conglomerado tem 5 mil funcionários, sendo 1,2 mil no DF. Nesta entrevista ao Brasília Capital ele defende que o BRB seja o banco de fomento dos empreendedores locais, critica a Saúde e a Segurança públicas e se diz favorável à abertura do Centro Administrativo. Marques mostra-se indignado com a burocracia que atrapalha a aprovação de projetos pelo GDF. Se eleito, promete doar o salário de senador para instituições de assistência às crianças carentes das cidades-satélites e criar projetos com os quais possa “devolver ao Brasil um pouco do que o país me deu”.  E crava: o DF terá os três melhores senadores: Cristovam, Reguffe e eu”.

Fernando Marques defende a educação em tempo integral como caminho para acabar com o ciclo vicioso da miséria nas periferias brasileiras.Foto: Antonio Sabino

O que motiva uma pessoa na sua condição a entrar na vida pública? – Eu comecei a trabalhar aos 17 anos como pequeno empresário. Nos meus 47 anos de trabalho passei por muitos problemas e dificuldades e consegui vencer e fazer minha empresa se desenvolver e crescer. Hoje, gero 5 mil empregos, sendo 1,2 mil em Brasília. Eu acho que a saída para o nosso país é apoiar o pequeno, o médio e o grande empresário. Quero ser senador para defender o desenvolvimento, o emprego de qualidade e a profissionalização de nossos jovens, não só no Distrito Federal, mas em todo o Brasil.

Qual a importância dos incentivos oficiais para o empresariado? – O pequeno e o microempresário de hoje são o médio empresário de amanhã e o grande empresário do futuro. O Estado precisa dar condições, usar ferramentas para facilitar a vida do empreendedor. O BRB tem que facilitar linhas de crédito para o micro, pequeno e médio empresário para haver um desenvolvimento industrial em Brasília. Brasília foi projetada para ter 500 mil habitantes e hoje tem mais de 3 milhões.

De acordo com sua declaração de Imposto de Renda, o senhor é o candidato a cargo público mais rico do Brasil. De que forma isto favorece ou atrapalha sua candidatura? – Meu patrimônio é resultado do meu trabalho nesses 47 anos de luta. Não tenho muito dinheiro. Tenho muita fábrica. Eu acredito no desenvolvimento industrial. Nosso País não pode ser um país apenas agrícola. Eu tenho investido em fábricas. Tenho uma fábrica supermoderna há 15 anos aqui em Brasília, no polo industrial JK. Fui pioneiro ali, enfrentei muitas dificuldades para a implantação dessa unidade. Chegando ao Senado, não quero carro oficial, verba de representação, viajar por conta do Senado. Eu vou lá para ajudar.

E a equipe? – Uma secretária, o chefe de gabinete. Eu preciso de uma estrutura mínima, enxuta. Seis assessores já seriam suficientes.

Vai receber salário do Senado? – Não vou devolver o meu salário. Pretendo doar para instituições que apoiam principalmente a crianças nas cidades-satélites. Todo mês doarei o meu salário e publicar no meu portal para quem foi destinado. Todos deveriam fazer isso. Eu posso e vou fazer isso. Não vou pra lá para falar “agora estou arrumado por oito anos”, ou, como alguns que estão disputando com alguém pelas costas financiando e gastando para depois assumir como primeiro suplente.

Pretende cumprir o mandato integralmente, assumiria algum cargo no Executivo ou disputaria o governo após os primeiros quatro anos no Senado? – Eu não tenho interesse de ir para o Executivo. Se for para administrar, eu continuo administrando minhas empresas. Vou continuar cumprindo o meu papel de empresário. Minha empresa continua. Não estou falando que vou fazer alguma coisa que já não faço. Chegando ao Senado vou fazer aquilo que já faço. Se Deus me der saúde, vou ficar os oito anos servindo à minha pátria, ao meu país, e devolvendo um pouco do que o meu país me deu.

Mas esse discurso de empreendedor e gestor se adequa mais ao Executivo do que ao Parlamento. Por que não se candidatou a governador em vez de senador? – Eu acho que o nosso Legislativo tem que ser mais atuante para funcionar e facilitar a vida do cidadão. Não adianta ir lá para o Senado e falar que arrumou um emenda aqui outra ali. Lá é preciso pessoas que tenham cabeça e pensem o que vão fazer em termos de lei. Fazer o Legislativo atuar junto com o Executivo para ter uma linha de desenvolvimento e geração de empregos; para ter uma Saúde que funcione. É isso que precisa.

Quais seriam os seus projetos nessa linha? – Uma coisa que eu acho fundamental é o ensino em tempo integral. A criança ir para escola de manhã e voltar à tarde. E lá na escola ela comer, praticar esporte, recreação, visitar museus, aprender cultura. Não podemos incendiar a nossa história como aconteceu agora no museu do Rio de Janeiro. Isso é um crime, uma coisa inacreditável.

Para quais áreas o senhor destinaria suas emendas parlamentares? – Principalmente para a Saúde. Está uma tragédia essa área.

O modelo adotado pelo GDF no Instituto Hospital de Base é a solução? – Tem que fazer a coisa funcionar, e isso não está acontecendo. Temos que operar com inteligência, tecnologia. Hoje em dia todos têm um celular. A pessoa tem que conseguir saber, através de um aplicativo, onde seria o melhor lugar para ser atendida de acordo com suas necessidades (especialidade, tempo de espera para atendimento, proximidade etc). Tem muita coisa na parte tecnológica que custa muito pouco e torna a operação eficiente. O secretario de Saúde tem que utilizar o que tem e colocar o sistema para funcionar e depois seguir para sanar as necessidades. Por exemplo, construir um hospital do servidor público, que já existe em todo o Brasil e aqui não.

Em suas andanças pela cidade durante a campanha não tem registrado nenhum tipo de reconhecimento ao trabalho do atual governo nessa área? – Eu estava conversando com o prefeito de Valparaiso (GO)e encontrei o secretário de saúde de lá. Ele me disse que estão fazendo 50 cirurgias de catarata por dia. São 1400 por mês. Perguntei se havia essa demanda toda em Valparaiso. Ele disse que a esmagadora maioria é de pacientes que vão de Brasília para lá. Inverteu o fluxo. As pessoas estão indo de Brasília para valparaíso operar catarata. É falta de gestão.

“Eu acho um erro alguém votar para o Senado em alguém porque tem um rostinho bonito ou porque tem uma conversinha mole, do tipo eu vim lá do Nordeste”, disse Fernando Marques. Foto: Antonio Sabino

Os empreendedores também reclamam da burocracia aqui no Distrito Federal… – Fui pioneiro no Polo JK. Sofri demais para aprovar nossos projetos, para ter a licença ambiental. Um empresário não precisa de correr atrás de licença de meio ambiente para o polo. Eu tive que correr. Contratei 2 mil Kw da CEB e só chegava 1.300. A CEB não me entregava aquilo que foi contratado. Foram muitas dificuldades.

O senhor é favorável à retomada do programa que criou as chamadas Áreas de Desenvolvimento Econômico nas cidades-satélites? – É importante, por exemplo, que as pessoas não saiam da Ceilândia para trabalhar no Plano Piloto. É preciso gerar emprego na ponta, perto das casas das pessoas. Sem dúvida, eu acho que é muito importante a descentralização inclusive da administração do governo pelo nosso futuro governador Rogério Rosso. Descentralizar o governo para facilitar a vida do cidadão.

O senhor defende que o GDF assuma a gestão do Centro Administrativo antes da conclusão das investigações das possíveis irregularidades ocorridas no contrato com o consórcio que construiu o complexo? – Eu acho que aquilo ali é um caso de incompetência. Nós temos hoje em Brasília mais de 100 grandes empreendimentos prontos e parados. É uma coisa inacreditável. Empreendimentos modernos, construídos com aprovação do governo, com a chancela do governo, com autorização do governo, de acordo com a planta aprovada pelo governo. O projeto fica pronto mas não pode ser ocupado, não tem alvará de funcionamento. Quantos empregos poderiam estar gerando se esses empreendimentos estivessem funcionando! Traria outros investimentos para Brasília. Quem vai investir em um lugar onde aprova tudo, você constrói e depois não libera? É preciso analisar isso. O governo tem que dar solução para isso. Se foi construído em um lugar que foi permitido, se foi aceita e aprovada a planta, por que não liberar? É inconcebível isso. Você vê isso da iniciativa privada e em obras do próprio governo. Isso é de uma incompetência administrativa gigante.

O senhor já discutiu esta questão com seu companheiro de chapa a governador? Como desobstruiria aquilo em meio às investigações da Justiça? – Eu acho que para um projeto funcionar independe de um processo de investigação. Se houve alguma coisa errada, se houve alguma coisa que não estava de acordo com a legislação, que se apure. Mas uma vez construído, pronto e aprovado pela Agefis, por que não colocar para funcionar? Faça-se a investigação, mas deixa funcionar.

O governo também alega que a despesa para o Centrad entrar em operação oneraria muito mais os cofres públicos do que a situação atual… – Eu acho que o contrato ou qualquer coisa nesse sentido pode ser discutido. O que não pode é ficar empreendimentos arrojados parados. Quanto se paga de aluguel e qual o custo da administração hoje, toda pulverizada. Em Minas, em Belo Horizonte, foi criado um centro com todas as secretarias da administração. Em Goiás também. É muito mais fácil para a gestão administrar do que ficar uma Secretaria em um prédio, outro órgão em outro prédio. O Estado tem que existir para facilitar a vida do cidadão comum da cidade-satélite e do empreendedor também. Tem que incentivar para que ele produza e invista mais.

Qual sua avaliação quanto à segurança no DF. Quais as propostas de sua coligação para esta área? – A segurança de Brasília está péssima. Temos que criar um plano de carreira, motivar os profissionais, sentar com as representações das polícias Civil e Militar e traçar estratégias para evitar o crime. Precisamos usar a inteligência, fazer blitz, usar serviços de informação, escutas autorizadas. Não Podemos deixar que Brasília chegue à situação tão triste quanto o Rio de Janeiro. Mas se o crime não for combatido rapidamente, com inteligência, isso vai acabar acontecendo.

“Estou distribuindo currículo. As pessoas precisam saber o que eu fiz, de onde eu vim e o que eu faço” Fernando Marques. Foto: Antonio Sabino

Já existem indícios de que o Entorno do DF pode vir a se transformar numa Baixada Fluminense… – Não precisa nem ir tão longe. Nós temos o Sol Nascente e o Por do Sol, uma região muito pobre, onde a ausência do Estado, a falta de escolas, creches, pavimentação, esgoto, polícia, frentes de trabalho é notória. Ainda bem que as igrejas têm assumido a função do Estado, recebendo as crianças, ajudando as famílias. São uma das poucas portas que se abrem para as pessoas que moram nesses lugares. O Estado está completamente omisso.

O senhor tem um colega de chapa, Cristovam Buarque, do PPS, que está no Senado há 16 anos e tem como bandeira a educação. Como está sua parceria com ele? – Eu só decidi me envolver na política para me aliar com pessoas sérias, competentes, dedicadas, ficha limpa. O senador Cristovam é uma pessoa que eu admiro muito, um educador, uma pessoa a quem a nação deve muito, e Brasília também. Ele tem mais de vinte leis aprovadas, a maioria na área de educação. Eu acho que a educação é fundamental, é o ponto de partida para a vida de um ser humano. Uma criança tem que ter uma educação básica para se desenvolver e depois chegar à universidade. Concluir pelo menos o segundo grau é fundamental para se vencer na vida.

Qual sua mensagem para a população do DF como candidato ao Senado? – Quando as pessoas me perguntam se sou candidato a senador, eu respondo que estou distribuindo currículo. Porque as pessoas precisam saber a minha vida, o que eu fiz, de onde eu vim o que eu faço. Eu acho um erro alguém votar para o Senado em alguém porque tem um rostinho bonito ou porque tem uma conversinha mole, do tipo “eu vim lá do Nordeste”. Eu vim, com muito orgulho, lá de Minas Gerais. Mas o eleitor tem que votar avaliando aquilo que eu fiz a vida inteira. Uma pessoa de 40, 50, 60 anos tem que saber o que fez na vida e se está preparada para ocupar uma cadeira no Senado. Acho que  Cristovam, Reguffe e eu podemos ser os três melhores senadores do País. Se Deus me ajudar a chegar lá, tenho certeza de que vou me tornar um senador do qual o brasiliense sentirá orgulho.  Se Deus me der saúde, vou ficar os oito anos servindo à minha pátria, ao meu país e devolvendo um pouco do que o meu país me deu.

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