Férias onde já foi Paraíso

 

Não foram poucos os artistas consagrados que se apaixonaram pela Bahia, mais precisamente por Salvador. Nesse rol, destaco um mineiro chamado Ary Barroso, que se tornou famoso como locutor esportivo no Rio de Janeiro (ele era flamenguista doente); criou o Programa dos Calouros na Rádio Nacional; e foi autor de músicas inesquecíveis, uma das quais se inclui nas primeiras linhas desta croniqueta:

“Bahia, terra da felicidade. / Morena, eu ando louco de saudades. / Vou pedir ao Senhor do Bonfim  / Que me traga uma baiana / Igualzinha pra mim!…”

            Por sua vez, o baiano Dorival Caymmi fazia o insistente convite:

“Você já foi à Bahia, nêgo? / Não? / Então vá!…”

            Quanto a mim, já tinha ido à Bahia inúmeras vezes, a serviço, como Repórter. Mas só voltei com a intenção de ficar, ao ser contratado para trabalhar no Jornal da Bahia, que fechou as portas como tantos outros grandes matutinos.  Desembarquei no Aeroporto Dois de Julho (se chamava assim) no começo dos anos 70, época em que Salvador era um paraíso terrestre no mapa do Brasil. Casado quase 40 anos com uma soteropolitana (título honorífico de quem nasce na capital baiana), retornei em várias férias de fim de ano. E, gradativamente, fui constatando a mudança, para pior.

Nesta vinda de 2013, Salvador não tem nada a ver com a paz e o senso de humor que reinavam na cidade antigamente, onde os recém-chegados, turistas ou não, eram cumprimentados assim: “Bom dia, meu Rei!”. E até mesmo nas raríssimas incursões à mão armada, os assaltados ouviam: “Desculpe, meu Rei, mas vou levar a sua grana!”.

            Justificando o aforismo “Entre os males, que seja o menor”, minha mulher lembra com saudade daquele tempo: “Os ladrões se multiplicaram por mil. E hoje eles roubam, não pedem desculpas e ainda matam as suas vítimas!”

Resumindo: Salvador já não é mais aquele Paraíso de antes, com suas lindas praias de se ver e de se desfrutar. A praia do Porto da Barra, por exemplo, bairro em que morávamos, era conhecida como a “Ipanema baiana”. E agora é um risco de vida à beira-mar.

Afinal, este é um preço que nós, brasileiros, estamos pagando por um “progresso” que deveria se chamar de “retrocesso”. Infelizmente, essa triste realidade é extensiva a quase todas as capitais do País, incluindo a nossa bem-amada Brasília.

 

 

Fernando Pinto

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