Famílias brasileiras estão endividadas

Cartão de crédito e cheque especial são os maiores vilões, diz CNC

Pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio (CNC) constatou que o percentual de famílias brasileiras endividadas passou de 57,6% em 2012 para 65,2% este ano. O economista Bruno Fernandes aponta, também, que houve aumento do índice de inadimplência, de 20,3% em junho para 22,4% em julho. “Desse total, 7,4% disseram que não terão condições de honrar seus compromissos”, alerta o especialista da CNC.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic Nacional), a maior parte das famílias está comprometida com cartão de crédito e cheque especial, modalidades com as taxas mais altas do mercado financeiro. A dívida de longo prazo, quando em atraso, significa mais juros a pagar. Logo, menos chances de solvência. Dos inadimplentes, 43,8% estão com atrasos acima de 90 dias.

Os lucros das instituições financeiras são elevados e as taxas de juros são fixadas em percentuais desproporcionais, o que deixa o consumidor em posição desvantajosa. A função social do crédito, que seria promover o desenvolvimento econômico e equilibrado do país e servir aos interesses da coletividade (artigo 192 da Constituição de 1988), como objetivo do Sistema Financeiro Nacional, não está sendo respeitada.

O crédito tem papel importante em uma sociedade capitalista. Porém, o endividamento gerado pela expansão e concessão irresponsável é uma das causas para tantas dívidas. Se os níveis de endividamento das famílias seguem altos, em parte, travam o avanço do consumo.

O chefe do Conselho Federal de Economia, Júlio Miragaya, destaca que desde 2005 o volume dos empréstimos no país saltou de 28,1% para 54,1% do Produto Interno Bruto (PIB), conjunto de bens e serviços produzidos no país. Essa alta, no entanto, não deve continuar. “Houve um grande aumento por causa da facilitação do crédito vista nos últimos anos, mas chegou a um limite”, aposta Miragaya. Ele acredita que o crescimento da renda do trabalhador e a estabilidade do mercado de trabalho devem segurar o endividamento da população.

Por Nathália Paccelly

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