Família de paciente com ELA luta para levá-lo para casa

20150621214258968194oParentes recorreram à Justiça para conseguir equipamentos

“Ele é meu gatão, meu lindo”, comenta Tatiana Buoso Malovany, 33 anos, sobre o marido. Há 16 anos, uma amiga em comum os apresentou e, desde então, ela e Geriton Almeida Lacerda, 31 anos, não se separaram mais. Da união, nasceram dois filhos –  Hiago, 12 anos, e Lara, 5. A relação, no entanto, ficou fisicamente limitada. Portador de esclerose lateral amiotrófica (ELA), Geriton não pode mais abraçar a mulher como antes. Mas os dois aprenderam a se comunicar pelo olhar e por meio de piscadas. Hoje, tudo que o casal quer é aproveitar os dias juntos em casa com os familiares e com os filhos. “Eles (crianças) choram de saudade do pai”, comenta Tatiana. A família briga na Justiça para que o GDF pague os gastos da internação domiciliar do mototaxista.

Há um ano, Geriton sofreu uma parada cardíaca e outra respiratória e foi levado para o hospital. Desde então, está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Santa Maria. De lá, ele só sai quando Lara vai visitá-lo, porque a menina não pode entrar na internação. No entanto, segundo a família, os médicos afirmam que o quadro do paciente é estável. “O Geriton já recebeu alta. Os médicos afirmam que ele tem que voltar para casa. Já fizemos todo o levantamento dos aparelhos necessários para o home care, entramos com o pedido e, até agora,  não conseguimos nada”, desabafa a mãe de Geriton, a servidora terceirizada Rita Almeida Lacerda, 51 anos.

Pedido
De acordo com Rita, logo que o filho foi internado, em 2 de junho de 2014, ela fez o pedido de internação domiciliar. Cerca de três meses depois, os funcionários da empresa terceirizada responsável pelo home care estiveram na UTI para verificar os aparelhos de que Geriton precisa. Desde então, ela não tem mais resposta. Como não consegue respirar, ele precisa de um aparelho de ventilação mecânica, que custa, segundo Rita, cerca de R$ 75 mil. A maior dor da mulher é não poder atender a vontade do filho. “Ele se sente só. Pergunta todos os dias quando vai voltar para casa. A nossa dor é ir e voltar sem uma resposta”, comenta. O paciente é o filho mais velho de Rita.

Na residência onde moram, em Sobradinho II, tudo foi preparado para cuidar de Geriton. Aumentaram o banheiro e a porta do quarto para que ele pudesse passar com a cadeira de rodas. “Mas ele nunca aceitou muito bem a cadeira. Sempre foi muito vaidoso. Ia ao mercado de noite na Asa Sul para que ninguém o visse daquele jeito”, conta Rita. “Ele também não queria ir muito ao hospital, a não ser nas consultas, nem usar os aparelhos como o de respirar, por conta das crianças”, completa a esposa, Tatiana.

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