“Façam o jogo, senhores!”

Depois do forte apelo de uma comitiva de governadores, tendo à frente Rodrigo Rollemberg, afinal o Senado colocará no plenário esta semana a votação do Projeto de Lei 186/14, que, tudo indica, será aprovado, a julgar pelas primeiras pesquisas. Em minha opinião, ainda bem, levando em conta que essa decisão incrementará a economia e, por tabela, o turismo com a abertura dos cassinos em todo o território nacional.

Paralelamente ao meu voto, aritmeticamente, há vários argumentos favoráveis. O mais evidente é que dos 194 países da Organização das Nações Unidas (ONU), apenas 50 proíbem jogos de azar. Outra realidade a favor é que o pequenino (territorialmente) Uruguai consegue uma arrecadação bilionária espalhando cassinos por todos os lados, inclusive na fronteira com o Brasil.

No rol dos infantis argumentos da proibição, alguns parlamentares pretendem “defender a bolsa do povo brasileiro”, quando se sabe que o trabalhador no Brasil jamais terá acesso aos iluminados salões de roletas, simplesmente porque o salário-mínimo de R$ 937 que recebe mensalmente mal dá para sustentar a família.

De acordo com o autor do projeto, senador Ciro Nogueira (PP-PI), a idéia é arrecadar tributos em cima de uma atividade que acontece ilegalmente “em cada esquina do país”. Nogueira estima que há mais de 200 mil caça-níqueis em funcionamento, além de cassinos clandestinos e outras modalidades, como as apostas on-line. “Não tenho a menor atração ou simpatia por jogo de azar, mas não regulamentar acaba sendo pior. Nos Estados Unidos, por exemplo, se arrecada 95% do que se aposta”, compara.

Historicamente, o fechamento dos inúmeros cassinos localizados em vários estados brasileiros aconteceu 30 de abril de 1946, por decreto do então presidente Eurico Gaspar Dutra. E a proibição, indiretamente, partiu da então primeira-dama Carmela Dutra, que, de tão carola, era mais conhecida como Dona Santinha.

E o mais incrível é que essa lei retrógada permaneça até hoje, ao contrário do que ocorre na Argentina, país do Papa Francisco, onde milhares de brasileiros vão lá despejar o seu santo dinheirinho -, inclusive eu, no tempo em que era viciado. Agora não!

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