Excelentes, por excelências

Já ouviu aquela velha história de que “pelos santos se beijam os altares”? Pois é. Estamos nos deparando com situação análoga, porém nada louvada na fé, nem em beatos, nem em santos que justifiquem os respectivos milagres, que (quem sabe?), farão mudar, a história da transformação de água em vinho embutida nos livros cristãos.

Mal comparando, por todos os motivos e nuances de que se reveste tal transformação de que falo. Só que a tintura simbológica dessa transformação terá sido o sangue da população brasileira, que vem sendo sugado lenta, gradual e progressivamente, pra não dizer o contrário: veloz, de uma vez, e fim de papo.

Segundo noticia o jornal Folha de São Paulo, poderão ser nomeadas desembargadoras do Tribunal de Justiça Estado do Rio de Janeiro e do Tribunal Regional Federal do mesmo Estado, as ilustres advogadas Mariana Fux e Letícia Mello. Elas são filhas, respectivamente, dos ministros do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux e Marco Aurélio Mello.

Mais que um presente de Natal antecipado, as nomeações significam um presente vitalício, que confere às agraciadas, além dos altos vencimentos, as mordomias inerentes ao cargo, tais como moradia, carrão com motorista e tudo mais, além do título de Excelências.

Podem até ser legais tais nomeações, por escolha criteriosa, mas, convenhamos, nem tudo que é legal é igualmente moral. Acho até que descamba para o outro lado. Mas Suas Excelências, os ministros, são senhores de si e aplicadores da lei. Cá pra nós, não me convence nem me parece de bom termo a puxada de brasas para as suas sardinhas que fizerem as autoridades em prol de suas amadas filhas.

O presente poderia ter vindo delas para eles, galgando aprovação em concurso público, concorrendo em pé de igualdade com os demais postulantes aos cargos. Essa farra de nomeações somente terá fim quando mudada a lei, para acabar com essa balela de quinto constitucional.

Mas as mina têm pedigri. E QI supremos, elevadíssimos. Excelentes por excelência. Seguiram o exemplo paterno, Digamos que deram “sorte”. Graças ao “notório saber jurídico”, foram  as escolhidas. Outras pretendentes teriam ousado postular as vagas? Talvez sim. Mas através de quem? Seus pistolões eram, decerto, mais fracos. Ou menos fortes.

Vão, se quiserem, pra primeira instância nas vagas que sempre estão se abrindo, né? Consolo, com ganhos quase iguais e todas as prerrogativas e mordomias de estilo.

Então, que se Melle a Justiça e que se Fux juri est.

Fonte:

Deixe um comentário