Estudantes estão mal-informados sobre reforma no Ensino Médio

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Rafael Lucchesi defende reestruturação da grade curricular, sobretudo em relação à valorização do ensino técnico. Foto: Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados

Uma pesquisa divulgada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) aponta que apenas 53% dos estudantes brasileiros entre 13 e 18 anos afirmam estar a par das mudanças propostas pelo governo federal para o Ensino Médio. Dos estudantes que dizem estar acompanhando o tema, quase 52% admitem estar pouco ou mal-informados.

As críticas à Medida Provisória (MP 746/2016), que propõe a reestruturação do Ensino Médio, e à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto de Gastos, que visa limitar gastos do governo federal pelos próximos 20 anos, têm sido apontadas como motivos para que estudantes ocupem universidades e escolas públicas em todo o País.

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Os estudantes pedem que as reformas da educação sejam discutidas com a comunidade escolar e demonstram preocupação com possíveis cortes de verbas na educação. A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) contabiliza mais de mil estabelecimentos de ensino públicos ocupados. Em função disso, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicado no último fim de semana, adiou para dezembro a realização da prova em 364 locais.Para o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, os resultados da pesquisa “Os Jovens, a Educação e o Ensino Médio” sugerem que a discussão do tema está sendo superficial. Os dados foram obtidos a partir de entrevistas feitas com 2.002 jovens de 13 a 18 anos, entre os dias 8 e 18 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 2 pontos para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

Flexibilidade sim, aumento de jornada não

Perguntados sobre as principais propostas de mudanças, 65% responderam ser favoráveis à possibilidade do estudante substituir algumas das disciplinas tradicionais por matérias do ensino profissionalizante a partir da metade do Ensino Médio. Pouco mais de 26% dos entrevistados disseram ser contrários às mudanças.  Já o aumento da jornada diária de aulas de 4 horas para 7 horas foi rejeitada por 57% dos entrevistados e aprovada por 36%.

Quem indicou ter maior conhecimento conhecimento sobre as propostas foram os entrevistados do Sul (66%) e do Norte e Centro-Oeste (57%). Nas regiões Sudeste e Nordeste os percentuais dos jovens que afirmam estar inteirados cai para 53% e 46% respectivamente. O maior percentual que admite não estar bem-informados foi registrado na Região Sudeste (44,4%), seguida pelo Nordeste (43,8%).

Campanha a favor

 

Desde o último dia 28, o Ministério da Educação (MEC) está divulgando nos principais veículos de comunicação e redes sociais uma campanha publicitária para tentar convencer a população de que, com o novo modelo de ensino médio, os estudantes terão mais liberdade para escolher as áreas de conhecimento que mais lhes interesse. Ou mesmo optar pela formação técnica, caso queiram concluir o ensino e começar a trabalhar. 

“Sempre nos colocamos de forma aberta ao diálogo. Agora, [se] o Estado brasileiro tem que [respeitar] o princípio de que todos tem o direito de protestar, [precisa observar que] este direito se encerra quando começa o direito de outra pessoa, como o direito de ir e vir e do acesso à educação”, disse o ministro da Educação,  Mendonça Filho, ao comentar as ocupações. “Participarei de todos os debates necessários. Vamos exaurir a discussão, mas é preciso votar. Porque estamos discutindo esse assunto há 20 anos e não quero passar mais duas décadas discutindo”.

O diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, defende a necessidade de mudanças na grade curricular, sobretudo destinadas a valorizar o ensino técnico. Para Lucchesi, outras pesquisas da entidade apontam que quase a totalidade dos brasileiros creem que a educação profissional é capaz de proporcionar melhores oportunidade para os jovens ingressarem no mercado de trabalho, resultando em melhores salários.

 

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