Escritora de 89 anos lança livro com forte carga de erotismo

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“Se houver crítica, será de caretas. Sexo existe e é muito gostoso. Eu não me envergonho de nada. Preconceito não faz mais sentido”

Para Maria Lygia Rodrigues Faria desafiar tabus nunca foi uma preocupação: “Nasci para ser feliz. E a felicidade vem com a liberdade”

 

Aos 8 anos, ela ouviu, na sala de casa, numa roda de sarau, o pai, médico, recitar os versos de Navio negreiro, de Castro Alves. A menina teve um duplo deslumbramento. “Foi ali que me aproximei do meu pai, até então distante de mim, e pela poesia”, ela conta. Passaram-se anos, muitos anos, desde aquela noite de poesia e encantamento, em Niterói, no Rio de Janeiro. A menina cresceu. Formou-se em artes, casou-se, teve dois filhos biológicos (depois, adotou mais cinco), mudou-se para Brasília, para acompanhar o marido. Aqui vive há 54 anos.

Na nova terra que começava, além de pintar enlouquecida e apaixonadamente e colecionar prêmios, ela começou a escrever. Aventurou-se pela poesia, sua paixão, depois pelo romance e, agora, estreia no conto. Nesta quarta-feira, Maria Lygia Rodrigues Faria – que assina apenas M. Lygia — lança o seu 13º livro, o primeiro de contos. A menina que lá atrás foi despertada por Castro Alves voou mais longe. Triunfos do amor é, certamente, seu livro mais polêmico.

São 13 contos, em 138 páginas, que falam de amores proibidos, sexo, incesto e paixões desenfreadas. Ela se superou na estreia de contos. M. Lygia talvez nunca tenha sido tão M. Lygia. “Se houver crítica, será de caretas. Sexo existe e é muito gostoso. Eu não me envergonho de nada. Preconceito não faz mais sentido”, avisa a autora, do alto dos seus 89 anos. “Ano que vem faço 90, muitos janeiros, meu filho. Mas meu coração ainda bate, ainda ama, ainda faz planos”, diz, sentada na sala da casa, no Setor de Mansões do Lago Norte, decorada com os seus quadros na parede e as suas obras de arte.

O livro Triunfos do amor reúne 13 contos. E o primeiro deles, Sonhos de amor em Paris, diz a que veio. Conta a história de amor entre uma moça e um professor de piano, mais velho que ela. Ele a hospeda em sua casa, na capital francesa. Na convivência, surge a paixão arrebatadora. E daí? Paixões arrebatadoras surgem a qualquer momento, principalmente na Cidade Luz. Na história de M. Lygia, contudo, a paixão é proibida. Eles são tio e sobrinha. “Sei que isso pode chocar muita gente, mas essas histórias existem e estão bem perto da gente.”

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