Escravos do trabalho

Maio é mesmo prodigioso. Para os católicos, porque é o mês dedicado a Maria, Nossa Senhora, Mãe de Jesus Cristo. Os que acreditam, alcançam milagres, graças à Sua benevolência. E mesmo aqueles que não crêem, afirmam as literaturas marianas, são alcançados pelas Sua bondade, intermediada pelas súplicas de terceiros e até mesmo sem elas, porque a Mãe acode a todos os seus filhos. Ela sabe de todas as suas necessidades e merecimentos, atendendo a cada um no exato instante da conquista do título de merecedor, o que é lógico.

No mês de Maria, foi editada a Lei Áurea, que aboliu aquele cruel sistema de gente ser inferior à coisa e por ela trocada e confundida, comercializada.  Foi a 13 de maio de 1888, que Izabel, a Princesa Imperial Regente, editou a lei abolicionista, tendo feito comunicar, em nome de Sua Majestade o Imperador Pedro II, a todas as comarcas.

Só que tal comunicado parece não ter chegado aos destinatários e, assim, os espertalhões da terrinha justificariam a não aplicação do édito imperial, ao argumento fútil de desconhecer a lei, deixando o dito pelo não dito, um faz de conta, por parte de alguns, que perdura um século e um quarto de outro. Ou seja, 125 anos de rapinagem e disfarçatez.

A província do Ceará, paradoxalmente, se antecipou ao império e declarou extinta a escravidão quatro anos antes da Princesa Izabel. Mas ficou só no papel. Até recentemente tivemos notícias de trabalhadores escravos haverem sido resgatados naquele estado.

Mas nem só no Ceará tem escravos. Estão espraiados Brasil a fora. Dada a sua extensão territorial, convenhamos, fica mesmo nada fácil o exercício do controle por parte dos órgãos competentes, o que faz com que as situações de encontrarem-se, ainda hoje, pessoas em condições análogas ao trabalho escravo remanesçam.

Estamos vivenciando o caso descoberto pela Polícia Federal, em Brasília, a Capital do Brasil, que sediará, doravante, eventos internacionais de relevância. Assemelha-se a tráfico de pessoas para trabalho escravo e, quiçá, outras atividades proscritas, pessoas trazidas de Bangladesh. A malandragem aproveitou o clima de insegurança e instabilidade por que passa aquele país e recrutou e aliciou incautos, para deles abusar em terras tupiniquins.

Enquanto o regime escravagista foi disfarçado, há aqueles que, como eu, se dizem escravos do trabalho.

Você acredita?

Eu não.

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