Escolas militarizadas têm mais dinheiro

Embora seja aceita por grande parte da comunidade escolar em que serão instaladas, as gestões compartilhadas, ou escolas militarizadas, desagradam a uma grande parcela dos profissionais da educação. O projeto do GDF começa a valer na segunda-feira (11), quando quatro colégios incluídos no novo modelo de gestão iniciarão o ano letivo – o CED 7, em Ceilândia; CED 1, na Estrutural; CED 308, no Recanto das Emas; e CED 3, em Sobradinho.

 Na sessão da Câmara Legislativa de quinta-feira (7), o deputado Reginaldo Veras (PDT) subiu à tribuna para expor seus argumentos “pragmáticos, sem paixão e com muita objetividade” contrários ao projeto do governo. O professor explicou que o projeto garante que cada escola com gestão compartilhada receberá R$ 200 mil a mais para implementação, além de mais pessoal, afinal cada escola terá até 25 policiais em seu quadro.

Relembrando sua a experiência como gestor educacional de 1995 a 1998, na Expansão do Setor O, em Ceilândia, Veras desafiou o GDF: “me deem 200 mil a mais, liberdade para capitanear recurso junto à iniciativa privada, possibilidade de cobrar R$ 900 numa Associação de Pais e Mestres (APM), como cobra o Colégio Dom Pedro II, 20 orientadores educacionais ou psicólogos, que se eu não melhorar os índices de segurança na localidade e o do IDEB eu abandono este mandato”.

 Reginaldo Veras propôs uma comparação: dar as mesmas condições das escolas militarizadas para outras quatro escolas, sem a presença dos policiais, para se ter base de comparação real e não o “engodo” proposto por Ibaneis. Segundo o deputado, o projeto do governo fere a lei da gestão democrática das escolas, que atribui à comunidade a obrigação de eleger o diretor da unidade escolar.

“Essa alteração não pode ser feita por meio de decreto. Se isso acontecer, a Câmara Legislativa dá ao governador o poder de legislar”, disse. E concluiu: “eu não preciso de polícia para estabelecer a ordem na minha escola e na minha sala de aula”.        

O deputado Hermeto (PHS), que é policial militar de carreira e confundiu Veras com o xará Reginaldo Sardinha, aparteou o colega e declarou apoio ao projeto de militarização, em prol do “resgate de valores e patriotismo presentes nas escolas na década de 1970”. Veras rebateu: “é uma besteira dizer que só militar ama a pátria e os demais, não”.

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