Escolas de Ceilândia adotam o cordel

O escritor Raimundo Nonato Sobrinho irá desenvolver, durante um ano, o projeto A magia do cordel, em escolas públicas de Ceilândia, para alunos do ensino fundamental. Serão ministradas 48 oficinas, em 20 escolas da cidade, com o objetivo de estimular o gosto pela leitura, a criação literária e a expressão artística dos estudantes por meio da tradição cordelista brasileira.

A projeto do escritor Raimundo Nonato Sobrinho será executado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo de Brasília.
Munido de data show, cartolinas, canetas, lápis, pincéis atômicos e muitos livros, o cordelista pretende passar sua experiência para os jovens.

Raimundo Sobrinho acredita que a partir do contato com a poesia popular, em particular o cordel, os alunos conhecerão um pouco mais da realidade do nosso povo e suas peculiaridades. “Eles terão a oportunidade de participar de experiências literárias inovadoras, tendo como ferramentas a escuta, a leitura, a

escrita e a declamação de cordéis. Nosso propósito maior é levar
os alunos a criarem seus próprios textos literários. Cada oficina terá carga horária de uma a três horas, cuja metodologia envolverá leitura de cordéis e exploração do gênero reconhecido pelo Iphan, em setembro de 2018, como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

Haverá exibição de vídeos sobre a técnica, produção de xilogravuras, elaboração e revisão, pelos alunos, de textos baseados em fábulas e em temas livres, além de declamação das produções literárias dos estudantes. Haverá também a acessibilidade para surdos-mudos com o trabalho de intérprete de Libras.

A primeira oficina foi realizada no último dia 2 de agosto, na Escola Classe 52 de Ceilândia. De 9 a 12 de agosto o projeto estará na Escola Classe 45, nos turnos matutino e vespertino. E assim ocorrerá, sucessivamente, em outros colégios, até o final do primeiro semestre de 2020.

Para a coordenadora pedagógica da Escola Classe 52, professora Gisele Ferreira Feitosa, iniciativas como esta resgatam a prática da literatura nacional nas escolas. “É fundamental que nossos estudantes tenham mais contato com a literatura brasileira, pois o Brasil é uma fonte inesgotável de arte e diversidade”, diz ela.

Raimundo Nonato Sobrinho nasceu em Chapada (Ceará), em 1973. Em 1992 mudou-se para Brasília trazendo diversos cordéis de sua autoria. É autor de mais de cem cordéis, entre eles A morte do notebook, O jumento tenta comer o papagaio na seca do Nordeste, O livro e o celular, todos condensados em dois livros: Mostra a tua cara, Brasil; e Brasil alegre, Brasil Triste.

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