Entrevista – Senador Gim

Depois de presidir a Câmara Legislativa no biênio 2005/2006, Gim Argello (PTB), se aliou ao ex-governador Joaquim Roriz (PRTB) e tornou-se suplente de senador. Pouco mais de um ano após tomar posse, Roriz renunciou para evitar a cassação. Gim assumiu o posto e tornou-se, de lá para cá, no parlamentar mais eficiente da história do DF na aprovação de projetos e na obtenção de verbas federais para a Capital da República. Ele se orgulha de registrar o recorde de R$ 17 bilhões trazidos para obras e programas sociais em Brasília e suas regiões administrativas. Sabe que pode enfrentar adversários fortíssimos em 2014, mas está disposto a confrontar o discurso ideológico de muitos deles com o seu currículo de serviços prestados à cidade. “O eleitor está interessado em resultados”, diz ele, nesta entrevista exclusiva ao Brasília Capital. E cutuca os políticos que passam o mandato em “contato com as bases”, como eles dizem: “o trabalho legislativo requer muita articulação com os diversos setores do Governo e do Congresso. Aí não sobra tempo para andar pelas feiras e ruas distribuindo santinho, como outros fazem”, afirma. E desafia: “deixemos que o eleitor nos julgue no ano que vem”.

Brasília Capital – O senhor não disputa uma eleição desde 2002, quando se elegeu deputado distrital. Em 2006, formou chapa, como suplente, com o ex-governador Joaquim Roriz. Em 2014, pode enfrentar alguns campeões de voto, como Reguffe, Chico Leite e Magela. Como fazer para derrotá-los, uma vez que só estará em disputa uma vaga?
Gim Argello – Respeito todos aqueles que, como eu, pleiteiam a vaga de senador em 2014. Não me preocupo com essa história de campeão de votos. Acredito que cada vez mais o eleitor está interessado em resultados. Os candidatos terão que apresentar o que fizeram pela comunidade, pelo País, no tempo em que estão na vida pública. E isso eu tenho muito para mostrar. Estou convicto de que terei condições de apresentar um bom volume de realizações nesses sete anos em que me coube representar o Distrito Federal no Senado da República.
Brasília Capital – Quando o senhor fala de resultados, quer dizer que alguém pode não ter o que mostrar?
Gim Argello – Deixo esse julgamento para cada pessoa fazer. O que sei é que as pessoas estão cansadas da crítica pela crítica. Das promessas vazias. Mais do que nunca, aquela velha máxima de que reclamar é fácil, difícil é fazer, pode se encaixar perfeitamente no cenário político de Brasília.
Brasília Capital – O cenário eleitoral para o próximo ano ainda está muito indefinido. Todo mundo conversa com todo mundo. Qual o destino mais provável para o seu PTB – uma aliança com o governador Agnelo ou uma chapa de oposição com Arruda, Roriz e outros?

Gim Argello – O PTB de Brasília, do qual, com muito orgulho, sou presidente, tem tido uma atuação firme em defesa dos interesses da cidade. Desde que estou no Senado, há quase sete anos, procuramos adotar uma postura de trabalhar por dinheiro da União para o DF. Foi assim no governo Arruda, no governo Rosso e tem sido assim no governo Agnelo. Por isso, penso que qualquer aliança que fizermos será em torno daquele que for o melhor projeto para Brasília, mas acredito que ainda é cedo para decidir qualquer coisa.
Brasília Capital – Algumas lideranças políticas questionam se o senhor será mesmo candidato majoritário e alegam que o senhor sumiu do cenário local nos últimos anos. O senhor é realmente candidato ao Senado?
Gim Argello – Não tenho dúvida de que serei candidato. Mas quero aproveitar para esclarecer porque adotei uma postura diferente da maioria dos políticos que se colocam hoje como candidatos majoritários. Dediquei os anos de mandato de senador para trabalhar muito por Brasília e pelo Brasil. Nos últimos anos conseguimos a cifra recorde de mais de R$ 17 bilhões do governo federal para obras e programas sociais no DF. É um volume de recursos nunca antes registrado. Da mesma forma, conseguimos aprovar um número significativo de projetos que também não tem precedentes na história de Brasília no Senado. São projetos de âmbito geral, mas também alguns que beneficiam categorias específicas, como os taxistas, os deficientes físicos, os feirantes e quiosqueiros, os agentes penitenciários e muitas outras. São mais de cem categorias que conseguimos de alguma forma atender a partir do nosso trabalho legislativo, de muita articulação com os diversos setores do Congresso e do governo federal.
Brasília Capital – E isso é diferente dos demais candidatos?
Gim Argello – Deixo essa análise para você e para os eleitores. O que posso dizer é que esse trabalho absorve muito tempo da gente, Aí não sobra tempo para andar pelas feiras e ruas da cidade distribuindo santinho, como outros fazem. Mas eu pergunto: o que é mais útil para a sociedade? Deixemos o eleitor julgar no ano que vem.
Brasília Capital – Das candidaturas postas ao GDF, quais, na sua opinião, são para valer, lembrando que existem nomes como Eliana Pedrosa, Pitiman, Izalci e Alírio Neto que, aparentemente, estão no jogo apenas para barganhar?
Gim Argello – Não acho que seja tão fácil assim dividir aquelas candidaturas entre viáveis ou não. Reconheço, apenas, que todas são legítimas. Mas que ainda há muita espuma em cima dessa água, não tenho dúvidas.
Brasília Capital – O senhor trabalhou intensamente para montar uma forte nominata do PTB, sinalizando que o partido pode, também, lançar candidato ao Buriti. Isto é possível?
Gim Argello – Como disse anteriormente, ainda acho que é cedo para decidir a formação das chapas no ano que vem. Agora, de qualquer forma, posso assegurar que o PTB terá um candidato majoritário. A princípio ao Senado, mas, como o cenário é muito nebuloso, podemos até avançar um pouco mais.
Brasília Capital – Avançar significaria sua candidatura ao GDF?
Gim Argello – Não é o que pretendemos. Acho que temos conseguido bons resultados no Senado e seria interessante poder dar continuidade a esse trabalho. Agora, se for para mostrar o que já realizamos pela cidade, temos muito mais a expor do que boa parte daqueles que, muitas vezes, nos criticam. E se isso significará uma candidatura ao Buriti, aí já é outra história.
Brasília Capital – O senhor tem divulgado ser o parlamentar que mais trouxe verbas para o DF em toda a história. Isto será suficiente para conquistar os votos necessários para derrotar os concorrentes?
Gim Argello – Na realidade, eu tenho divulgado muito pouco, até porque me preocupei mais em trabalhar. Mas não tenho dúvidas de que as pessoas saberão reconhecer o que cada um de nós políticos da cidade fez e pode fazer pela comunidade.

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