Energia fotovoltaica não é limpa

Usina de energia solar de São Sebastião. Foto: Reprodução

Na edição 445, o Brasília Capital publicou, sob o título “Uma luz limpa no fim do túnel”, matéria a respeito de uma usina fotovoltaica em São Sebastião, com a manchete de capa “Brasília já usa energia limpa na rede da CEB”. O texto me sensibilizou e despertou interesse em explanar alguns pontos:

Primeiro, quero parabenizar o idealizador do projeto, Felipe Octávio Kubitschek, pois além desta iniciativa revolucionar as Organizações Paulo Octavio, elevando a qualidade da empresa de seu pai, ao cumprir com a própria missão da organização no que diz respeito à sustentabilidade ambiental já podendo carregar o selo “7 – Energia Limpa e Acessível” dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, este caminho que resolveu trilhar é pleno e não há outra opção para a humanidade a não ser cumprir com os planos de ação da Agenda 2030 da ONU. Tenho certeza que JK está orgulhoso do seu bisneto.

Em segundo lugar, pergunto: Podemos chamar uma usina de energia solar de “energia limpa”? Não nos deixemos iludir. Em tudo na vida existe ônus e bônus. Embora a energia solar seja considerada limpa e renovável, para transformar essa luz em energia elétrica, ou seja, a construção de uma usina fotovoltaica, gera impactos ambientais que prejudicam o meio ambiente, assim como qualquer empreendimento que necessite desmatar uma área para sua construção.

Ainda devemos considerar a proveniência dos materiais que compõem a tecnologia empregada (metais, plásticos, vidros, etc.) que são produtos da mineração, extração de petróleo, indústrias, etc, assim como, a mão de obra utilizada para produção nos países de origem, no caso a China, que é reconhecida por violar direitos trabalhistas e humanos.

Usina de energia solar de São Sebastião. Foto: Reprodução

Na imagem da usina de energia solar de São Sebastião, percebemos que a área foi completamente desmatada e impermeabilizada, indicando que o empreendimento não se ateve às questões de mudanças climáticas, pois contribuiu para a emissão de carbono para a atmosfera e promoveu a redução de área de infiltração de águas de chuva para a recarga dos aquíferos em São Sebastião, região abastecida por água de poços, cuja exploração já está esgotada e não se expedem mais outorgas de uso de recursos hídricos subterrâneos.

Analisando todos estes fatores visando à implantação da usina, a energia gerada não é limpa, pois devastou para ser implantada, assim como uma hidrelétrica que inunda vasta área para seu reservatório de água. Neste sentido, ao considerar apenas a proporção da área que deveria ser desmatada para implantar uma usina de energia solar que atenda a mesma oferta de energia que uma hidrelétrica seria de milhares de hectares.

Nestas circunstâncias, a hidrelétrica continua tendo melhor custo-benefício, inclusive ambiental, tendo em vista o manancial que a hidrelétrica mantém no reservatório. Não se deve esquecer, porém, do capital de biodiversidade (ecossistemas, espécies e genes) que se perde para se construir uma hidrelétrica, muitos ainda desconhecidos pela ciência.

Alternativas – O grupo Paulo Octávio é, sem sombra de dúvida, um dos gigantes da construção civil do DF, com patrimônio imobiliário imensurável. Uma alternativa à planta fotovoltaica de São Sebastião seria o aproveitamento dos telhados das edificações de sua propriedade localizados em todo o DF com a implantação de painéis solares para geração de energia para consumo ou venda para a CEB.

A expansão desta proposta poderia ser feita por meio de parceria da empresa com o Governo, que poderia aplicar os valores de compensação ambiental da empresa para a instalação dos painéis de energia solar em edifícios públicos, tais como ministérios, na sede da CEB, escolas públicas, parques do Brasília Ambiental – IBRAM, Parque da Cidade, hospitais e postos de saúde, delegacias, etc.

A Natureza vem dando sinais aos excessos da humanidade. Segundo a Global Footprint Network, o Planeta Terra atingiu em 29/07/2019, uma sobrecarga de exploração dos recursos naturais, os quais a humanidade consome mais do que a capacidade do Planeta se regenerar. Isso é no mínimo alarmante, beirando o desesperador!

E este projeto sustentável vindo de uma das maiores empresas do ramo de construção civil do DF traz esperança, já que a consciência ambiental deve começar dentro de casa. Mas as casas precisam estar adaptadas para tal. Desta forma, com o pilar da sustentabilidade fortalecendo os negócios das Organizações Paulo Octávio “eu vejo a vida melhor no futuro”.

Que este projeto de usina de energia solar seja apenas o início de novas ideias e que incentive outras empresas do ramo da construção civil também, pois, aliados às energias renováveis, que podem abastecer estabelecimentos com eletricidade, vários outros feitos podem associar a construção civil à sustentabilidade (captação e armazenamento da água da chuva, reuso de água cinza, gestão de resíduos sólidos, etc.).

O renomado professor do ITA e da Universidade de Brasília, com 40 anos de docência, Flamínio Levy Neto, no seu livro “Energias Renováveis: Atitudes Sustentáveis” sugere soluções para as questões energéticas e ambientais amplamente inter-relacionadas.

Não podemos deixar que os governos banalizem estas questões. É questão de sobrevivência, de permanência da espécie humana e interrupção da extinção de outras espécies. “É urgentemente necessário tomar medidas ousadas e transformadoras”.

Temos ao nosso alcance o prognóstico com todas as ações para uma vida em harmonia ecossocial, a AGENDA 2030 com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. É o que há de mais moderno e promissor!

(*) Tecnólogo em Gestão Ambiental – Criador e executor do Projeto Reflorir

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