Em entrevista exclusiva, Érika Kokay diz: Rollemberg está distanciado do povo

Foto: Gustavo Goes

Única representante do PT entre os oito deputados do DF na Câmara Federal, Érika Kokay vai presidir a legenda na capital da República pelos próximos três anos. A cearense de Fortaleza, eleita em 2014 com 92.558 votos, terá o papel de reconstruir a unidade da esquerda na capital. Para isso, promete procurar os movimentos sociais e os partidos  do campo democrático popular, como PDT, Rede, PSol e   PCdoB. “Temos um governo local com um nível muito grande rejeição”, diz Kokay nesta entrevista concedida ao Brasília Capital na quinta-feira (11).

BC – O que significa suja eleição para presidente do PT de Brasília em relação a uma possível mudança de direção do partido?

            Kokay – Existe uma série de desafios que estão postos ao PT. Um deles é que nós possamos aprofundar a nossa capacidade de fazermos oposição aos governos Temer e Rollemberg. É muito importante que possamos fazer uma oposição que não faremos sozinhos. Nós a construiremos com os movimentos sociais.

BC – Isso envolveria outros partidos?

            Kokay – A resolução do 6º Congresso do PT é muito clara. Nós vamos procurar aprofundar as relações com partidos que estão dentro do campo democrático popular. Não apenas com vistas às eleições de 2018, mas também para que possamos organizar um programa que se contraponha ao caos que estamos vivenciando no DF.

BC – Quais seriam esses partidos?

            Kokay – Vamos procurar todos os partidos no campo democrático popular que tenham unidade programática com o PT e que trabalhem nessa perspectiva.

BC – Quais, por exemplo?

Kokay – PDT, Rede, PSol e PCdoB. Todos os partidos que estão dentro deste campo nós iremos procurr para que possamos estabelecer uma unidade, porque temos um governo local com um nível muito grande de rejeição. O que se trata neste momento é que no campo democrático popular possamos disputar esses votos que estão no campo da oposição ao governo.

BC – Caso se forme essa frente de esquerda com o PT e a direita consiga se unir também, a senhora acredita que Rollemberg, mesmo estando no governo, pode se tornar numa espécie de Terceira Via?

            Kokay – Rollemberg deveria ter como primeira preocupação caminhar junto com o povo de Brasília. Mas o seu governo está distanciado do povo. O governo tem transformado Brasília numa cidade proibida, que não tem mobilidade urbana, com passagens a R$ 5. Uma cidade que não tem as praças. As praças não pertencem ao povo porque existe um profundo sentimento de insegurança. Logo, a primeira preocupação que ele deveria ter é caminhar junto com o povo.

BC – Mas o PSB de Rollemberg, historicamente, sempre esteve no mesmo campo ideológico do PT…

            Kokay – Nós vemos uma trajetória deste governo de muita semelhança com a direita da cidade. Ou seja, o governo Rollemberg não tem qualquer tipo de diálogo com o campo democrático popular. Ele tem implementado propostas que se assemelham muito, em forma de governar, com a velha direita do DF.

BC: O PT terá candidato próprio ao GDF em 2018?

            Kokay – O PT tem excelentes nomes para todos os cargos que estarão sob a disputa eleitoral de 2018. Mas, neste momento, nossa preocupação maior é estabelecer um campo de unidade que no decorrer das discussões nós vamos analisar. A discussão maior no momento não é a tática eleitoral. Se o PT terá candidato próprio ou não, isso será definido a partir das discussões que iremos implementar na perspectiva de uma unidade programática.

BC – Esses nomes petistas não seriam prejudicados pelo desgaste que o partido teve com os escândalos dos últimos anos, inclusive o Petrolão?

            Kokay – Nós não tiramos no Congresso que o PT terá candidatura própria. Tiramos que o PT tem vários nomes para uma disputa em qualquer cargo que estará em disputa em 2018. Vamos apresentar os nomes que temos para a discussão com o conjunto dos partidos no campo democrático popular. Apresentaremos esses nomes em uma discussão para podermos fazer frente ao caos que Brasília está vivenciando. Vou fazer um raciocínio inverso: Mesmo com todos ataques, o PT é o partido que tem feito uma grande discussão sobre Brasília e que tem feito oposição ao governo Temer. Então, eu pergunto: qual partido neste País, sofrendo os ataques que o PT tem sofrido, estaria com esse nível de aceitação na população brasileira?

BC – O depoimento de Lula ontem ao juiz Sérgio Moro repõe a verdade sobre a Operação Lava Jato?

           

Foto: Gustavo Goes

Kokay – Acho que está ficando muito claro para a população – e as pesquisam indicam isso – que o Lula sofre um processo de perseguição política. Essa perseguição dirigida a Lula, que em verdade não é contra o Lula, é contra o projeto que Lula defende, contra a eliminação das desigualdades, contra um País mais justo e solidário e um Estado Democrático de Direito. Não podemos dizer que esse nível de perseguição que tem sido implementado contra o Lula não atinge o Estado Democrático de Direito. Vivemos um regime de exceção, onde perdemos o direito de nos manifestarmos sobre as mais variadas formas políticas. Quem esteve aqui nesses dias viu que o Congresso estava sitiado. A população não pode entrar no Congresso. Vivemos um regime de exceção onde as pessoas não têm mais liberdade de se manifestar nas ruas. Eu visitei, em Goiânia, o jovem Matheus, que teve o crânio fragmentado e poderia ter vindo a óbito. Quando nós vemos que há uma tendência das forças de segurança de Goiás a entender isso como um abuso de autoridade e não uma tentativa de homicídio, percebemos que estamos em um regime de exceção. Esse nível de formulação aqui na Câmara, emanado do Palácio Planalto, contra os direitos, que querem calar as escolas e os movimentos, deixa claro que iniciamos um regime de exceção. O ataque ao Lula é o ataque contra a democracia, ao Estado Democrático de Direito e contra um governo que desenvolveu uma série de tecnologias sociais e uma série de projetos que fez com o que o Brasil pudesse sonhar em ser um País mais igualitário.} else {

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