Em defesa do Teatro da Praça

O processo de tombamen­to do Teatro da Praça de Taguatinga voltou a tramitar após muito tempo e aguarda assinatura do gover­nador Agnelo Queiroz. Segun­do o historiador da Subsecre­taria do Patrimônio Histórico Artístico e Cultural (Suphac), Luciano Antunes, “apesar de ser um bem tombado provi­soriamente, o teatro funciona como definitivo até o processo ser sancionado”.

De acordo com a Suphac, em 2009 a Associação Cultural Tribo das Artes fez uma peti­ção para que o Centro de Ensi­no Médio Escola Industrial de Taguatinga (Cemeit), a Biblio­teca Pública Machado de As­sis e o Teatro da Praça fossem tombados. Houve um pro­testo, no qual 72 quadros fo­ram colocados no chão do te­atro, representando a revolta dos artistas com a falta de es­trutura do espaço. No peito de cada um, a placa: “Atualmen­te trabalhando como suporte de quadro na galeria sem qua­dro”.

Agora, as manifestações voltaram. Os moradores rei­vindicam o tombamento de­finitivo do Teatro da Praça. A Administração de Taguatin­ga apóia o projeto. “Esse proje­to está na Secretaria de Educa­ção e na Secretaria de Cultura para avaliação e aprovação. O teatro é tombado parcialmen­te desde 2007. Agora lutamos juntos com a comunidade pa­ra o tombamento definitivo”, afirmou a assessora de comu­nicação, Mariana Zoccoli.

Na cidade, o único monu­mento preservado é o relógio da praça central. Símbolo de Taguatinga, o relógio foi doa­do pelo presidente da Citizen Watch Co, Eiichi Yamada, em 22 de agosto de 1970, e tomba­do como patrimônio cultural e artístico do DF pela lei 11.823, de setembro de 1989.

O jornalista e taguatiguense Dihego Luk frequentou o Tea­tro na época em que eram re­alizados cursos de artes. “O Te­atro conta um pouco a história de Taguatinga. Pensop que o lugar deveria continuar ofere­cendo, além das peças, ensino de artes cênicas, como uma op­ção para os jovens”. Para ele, é importante o teatro ser tomba­do, mas o principal é deixá-lo reformado, já que passou mui­to tempo esquecido.

O programa “Ricardo No­ronha Show” é gravado às se­gundas-feiras à noite no Tea­tro da Praça. O apresentador Ricardo Noronha se diz a fa­vor do tombamento, “se ele for para o bem da socieda­de”. Mas questiona: “tombar o quê? A parede? Pegamos o teatro sem estrutura, a ilumi­nação era precária, as corti­nas estavam sujas e havia 50 cadeiras quebradas. Tudo foi consertado pela produção do programa’’.

Saiba +

O tombamento é um ato administrativo do Poder Público para preservar bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental ou afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados. O tombamento pode ser feito pela União, por meio do Iphan, pelas Secretarias de Cultura estaduais, ou pelas administrações municipais que dispuserem de leis específicas. Também pode ocorrer em escala mundial, pelo Icomos/Unesco, reconhecendo algo como Patrimônio da Humanidade. O ideal num processo de tombamento é que não se tombem objetos isolados, mas conjuntos significantes.

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