Em carta à população, Dilma pede plebiscito sobre eleições presidenciais antecipadas

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff, durante cerimônia no Palácio do Planalto, recebe apoio de intelectuais e artistas contra o processo de impeachment (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Dilma pode ter seu impeachment decidido pelo Senado ainda este mês. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A presidente afastada Dilma Rousseff  (PT) divulgou há pouco uma carta à população propondo a realização de plebiscito sobre a convocação de eleições presidenciais antecipadas.  “A restauração plena da democracia requer que a população decida qual o melhor caminho para melhorar a governabilidade”, disse, ao ler o documento, direcionado à nação e aos senadores, durante entrevista coletiva à imprensa no Palácio da Alvorada. 

No documento, intitulado “Mensagem ao Senado e ao povo brasileiro”, Dilma reafirma que não cometeu crime de responsabilidade e classifica o processo de impeachment contra ela de “golpe”.

A petista diz que caso o Senado decida pelo afastamento definitivo dela da Presidência da República, o que está previsto para ainda este mês, haverá “ruptura da ordem democrática baseada em um impeachment sem crime de responsabilidade”.

Mea-culpa – Na carta, Dilma também reconhece erros cometidos durante seu governo e acena com mudanças na política econômica caso retorne à presidência. Ela disse ainda que o processo é injusto, pois foi “desencadeado contra uma pessoa honesta e inocente.”

Dilma disse ainda que apoia a luta contra a corrupção e que ela é inegociável. “Não tenho contas secretas no exterior, nunca desviei um único centavo do patrimônio público e não recebi propina de ninguém”, disse na carta, em referência ao deputado afastado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A petista convocou uma coletiva de imprensa no Palácio da Alvorada para explicar os argumentos da carta, debatidos nos últimos dias com aliados. O texto que será encaminhado aos senadores aponta um dos últimos posicionamentos de Dilma antes do julgamento final do processo de impeachment.

Na semana passada, 59 senadores votaram pela aceitação do parecer que dá continuidade ao processo. Com isso, o julgamento de Dilma por crime de responsabilidade terá início no próximo dia 25, uma quinta-feira. Para barrar o impeachment, Dilma precisa do voto de, no mínimo, 28 do 81 senadores. A presidente afastada não informou se irá ao Senado para apresentar sua defesa.

Acompanharam Dilma na entrevista os ex-ministros Eleonora Menicucci (Secretaria Especial de Políticas para Mulheres), Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e Aloizio Mercadante (Educação).