Eduardo Brandão: “O momento certo de conversar é agora”

Brasília tem o maior IDH do país. Tem tudo para ser uma “Suíça” brasileira. Foto: Brasília Capital

Presidente do Partido Verde no Distrito Federal, o engenheiro civil Eduardo Brandão, 57 anos, conta com exclusividade ao Brasília Capital as articulações da legenda para as próximas eleições. Na segunda-feira (20), ele se reuniu com o governador Rodrigo Rollemberg e com representantes do Solidariedade (SD), do PSB e do PSDB para tratar de uma possível coligação.

Brandão critica as tratativas de grupos de direita que desde o ano passado se reúnem para discutir a sucessão no Buriti. “O momento certo de se conversar é agora”, cutuca. O principal desafio do governo para o DF, a “Suíça brasileira”, será criar esperança no eleitor até o fim de 2018.

Ele acredita que o PV será protagonista nas eleições. Aposta que os verdades elegerão dois deputados distritais e um federal. A gestão dos recursos hídricos, o desenvolvimento sustentável e a ética serão os três principais eixos de seu discurso.

Como foi a reunião com o governador Rollemberg? –O que começou a se desenhar foi uma alternativa para a montagem de chapas com o Rodrigo. Estamos a um ano das eleições e acho que temos que focar nos projetos que vão oferecer à população uma possibilidade de eleição. Começamos a formar um grupo de conversa, como existem vários outros. Este é o momento da política em que os partidos tentam se colocar dentro das suas linhas programáticas, mas também visando os resultados eleitorais. Isso, hoje, é interessante porque você não tem mais aquela de um lado e outro. Antes, em Brasília, dois anos antes das eleições já se sabia quem seria o candidato A e o B. O vermelho e o azul. Hoje, os partidos estão todos conversando e discutindo projetos viáveis para a população.

Qual serão os projetos viáveis para o PV? – O Partido Verde foca na qualidade de vida. Tem a questão urbana e a do campo, das áreas de preservação. O ambientalismo urbano é uma discussão para trazer qualidade de vida. Nós estamos passando por um problema de recursos hídricos em um lugar que é berço das grandes nascentes do país e das maiores bacias. Por quê? Por falta de planejamento urbano. À medida que você vai criando isso, piora a qualidade de vida do cidadão. Não pode mais se pensar em Brasília (e dividir) em Plano Piloto e cidades dormitórios. Tem que se trazer desenvolvimento para cada uma das cidades do DF, para diminuir esse movimento pendular de casa-trabalho-trabalho-casa. Isso não é qualidade de vida. Temos um Plano Piloto super verde e cidades super áridas no DF.

A crise hídrica é um reflexo dessa falta de cuidado? – Sem dúvida. Da ocupação desordenada, do fim das matas ciliares. Só existe rio grande porque existe o pequeno. O rio pequeno cria o rio grande. Não somos contra o desenvolvimento, somos a favor, mas que ele seja sustentável. Tem que trazer benefício para o ser humano e para a natureza. Não pode simplesmente sair ocupando e acabando com a cobertura vegetal de um bioma tão delicado como o Cerrado. Se você pegar a Alemanha, você tem todo um cuidado com a preservação e, ao mesmo tempo, o país é uma potência econômica. É o tripé da sustentabilidade: socialmente justo, ambientalmente correto e economicamente viável.

A crise hídrica é o principal desafio da gestão Rollemberg? – Acho que o maior desafio da gestão Rollemberg, neste momento, é criar uma expectativa de esperança no cidadão. Mostrar o que está fazendo. Tipo: estou trazendo a oportunidade de ter uma esperança de um DF mais sustentável, melhor para a população. Que tenha oportunidade de trabalho, segurança e o verde no convívio. É muito possível. A unidade da Federação mais fácil para se fazer isso é o DF. Somos um quadrilátero pequeno, maior IDH do país. Tem tudo para ser uma “Suíça” brasileira. Temos que mostrar que os políticos são capazes de fazer essa gestão. E não fazer o papelão que tem sido feito. A população, com toda razão, tem uma rejeição enorme aos políticos e à política. Temos que mostrar que é possível fazer política do bem.

“O país inteiro descarrilou” Foto: Brasília Capital

A oposição afirma que “Brasília parou”. O senhor concorda? – Temos que analisar isto no contexto nacional. O país inteiro descarrilou. Não podemos exigir em local nenhum que haja esse crescimento econômico em uma crise nacional. Entendo também que algumas questões poderiam ser fomentadas para que, dentro deste contexto que falei antes, de uma cidade estável de maior IDH, a gente pudesse ter soluções inteligentes para manter o crescimento e a cidade funcionando. Este é o grande desafio do governador Rollemberg: provar que ele consegue fazer isso nos próximos quatro anos.

A oposição está em articulação há mais tempo do que os grupos de esquerda. Isso pode representar uma vantagem lá na frente? – Isto pode representar uma vantagem, mas, ao mesmo tempo, existem outras questões. O momento certo de se conversar é agora. Conversar antes é não respeitar a própria população. Ainda tem 13 meses de governo. O objetivo principal dos governantes é cuidar da cidade. Não pode cuidar só de política. Mas é o momento. Houve uma mudança nos prazos eleitorais. Nas últimas eleições, você tinha que estar filiado até um ano antes das eleições. Agora, passou para abril. Isso jogou mais pra frente essas discussões.

A principal crítica de antigos aliados, como PDT e Rede, que desembarcaram recentemente, é de que não foram ouvidos pelo governador. Isto foi exposto na reunião que vocês tiveram? – Isto é uma questão de cada um. No caso do PV, estamos apontando uma aproximação maior agora. Apontando apenas. O PV não pode alegar que não foi ouvido, pois não participou dessa formação nas últimas eleições.

Como vê a aproximação de Rollemberg com os evangélicos? – Acho que todas as forças, que se aproximarem pelo bem, de uma forma republicana, no sentido de construir uma cidade melhor, com uma condição de vida melhor, são bem-vindas. Essa questão religiosa é uma coisa que a humanidade já deveria ter ultrapassado. Cada um tem sua crença. Não faço divisão por aí. Tem pessoas boas de um lado e de outro.

Os evangélicos criticam as derrubadas promovidas pelo GDF. Vocês acompanham essa questão? – Não acompanhei tão de perto. Esta é uma questão muito delicada. Tenho certeza de que qualquer um que vê a derrubada de uma moradia sente dor no coração. Tem que separar as pessoas enganadas, de alguma forma, e aquelas que fazem isso como ocupação desordenada, especulam a terra alheia e pública. Essas devem ser perseguidas. Entendo que o Estado não pode ser complacente  – e foi muito no passado. A Colônia Agrícola Vicente Pires ficava exatamente em frente à Residência Oficial do Governador de então. Como ele não viu o que estava acontecendo? Criou-se uma cultura de desocupação irregular. Teve falhas nessa desocupação e a pessoa de má-intenção vai usar essa falha para alegar uma propriedade que não é sua.

Que falha? – Em 1990, você tinha 19 RA’s. Hoje, são 31. É natural que a cidade cresça, mas ela tem que se organizar. Tem que ter a base do ZEE (Zoneamento Ecológico e Econômico) para saber para que lado a cidade vai desenvolver indústria, moradia e comércio. Dá para a gente fazer um negócio muito bom, mas temos de querer fazer o bem. Não dá para fazer o mal. Ter lucro em cima do que não é seu com invasões irregulares. Fazer com quem uma pessoa de boa intenção, por necessidade de moradia, compre um terreno por falta de opção.

Os moradores de Vicente Pires estão errados? – Acho que não. O errado foi o Estado que deixou aquilo acontecer e não criou uma opção de moradia. Minha filha, por exemplo, tem uma casa em Vicente Pires. Ela comprou errado? Não. Ela tinha que ter uma opção de moradia. O Estado tem que estar à frente, para conduzir. Isto não aconteceu. Existe um monte de mazelas em uma cidade de 57 anos que não era para ter. Não diria fáceis, mas são desafios que, com muita disposição, experiência de gestão, energia e diálogo com a população, você consegue vencer. Tenho muita esperança em Brasília, acho que pode ser um case de sucesso para o Brasil.

O deputado Professor Israel manifestou interesse de se candidatar a deputado federal, em uma entrevista ao Brasília Capital. O mesmo posto que o senhor tentou em 2014. Como estão se articulando? – Não há nenhum problema. Nós entendemos que, hoje, o PV tem muita condição. Apostaria em dizer que o PV de 2018 vai eleger dois distritais e um federal. Tenho certeza de que o Israel, pelo que tem mostrado, é um grande candidato a deputado federal, extremamente competitivo. Em minha opinião, vai ser um dos mais bem votados em Brasília. Eu considero o PV algo até “biodegradável”. Pega tudo que é sujo e limpa. Na aliança que estivermos, a população reconhece que o PV, como temos muita facilidade de diálogo com as forças de bem de Brasília, pode estar em algumas alianças que estão sendo desenhadas. Obviamente, vamos pleitear uma vaga majoritária com qualquer aliança que venha a fazer. Vamos pleitear isto. O PV entende que, tendo um deputado federal bem pontuado e dois distritais fortes, se tivermos alguma aliança, vamos exigir naturalmente um cargo majoritário. Nas proporcionais, nos garantimos. Só nos interessa se for um projeto bom para a cidade.

 

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