E o bicho pegou

Suspeitos de cobrar propinas para emitir alvarás, Carlos Jales e Carlos Sidney são presos e demitidos. Paulo Octávio é também investigado

 

Ex-administrador de Águas Claras, Carlos Sidney

A internação de dois pacientes ilustres movimentou as Emergências dos hospitais Santa Marta, em Taguatinga, e Regional da Asa Norte (HRAN), na madrugada de quinta para sexta-feira (8). Carlos Alberto Jales, 46 anos, e Carlos Sidney de Oliveira, 72 anos, respectivamente ex-administradores de Taguatinga e de Águas Claras, sofreram crises hipertensivas após terem a prisão decretada por suspeitas de cobrança de propinas para emitir alvarás para obras de grandes empreiteiras em suas cidades.

Oliveira foi removido da carceragem da Central de Polícia Especializada (CPE), onde estava preso desde a manhã de quinta-feira. Jales precisou ir ao médico ao sentir-se mal na fazenda de um amigo, nos arredores do Distrito Federal. Ele fugiu poucas horas antes de os policiais civis chegarem ao seu apartamento, num prédio de luxo em Águas Claras. Por isso, era considerado foragido da Justiça.

Os dois ex-administradores regionais, juntamente com o ex-governador Paulo Octávio (PP), 63 anos, foram os principais alvos da Operação Átrio, determinada pelo Ministério Público do DF e Territórios e executada pela Polícia Civil. Paulo Octávio também não foi encontrado em casa e se apresentou, acompanhado de advogados, na tarde de quinta-feira. Entrou na condição de testemunha e saiu como suspeito, podendo vir a responder processo por corrupção passiva, entre outros crimes.

Toda a ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP, e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco), da Polícia Civil, atendendo decisão da 2ª Vara Criminal de Taguatinga. Além dos três, também foram conduzidas coercitivamente para prestar depoimento outras 12 pessoas, entre servidores públicos, funcionários de empresas privadas, comerciantes e empresários.

Jales e Carlos Sidney estão escoltados por policiais e retornarão à prisão quando receberem alta médica. O ex-administrador de Águas Claras será liberado após cumprir cinco dias de prisão temporária. Por ter sido considerado foragido, Jales corre o risco de permanecer detido até o final do inquérito, o que deve durar pelo menos 65 dias, de acordo com a Secretaria de Transparência do GDF.

 

Ex Administrador de Taguatinga, Carlos Jales, é tido como foragido da jusiça
Ex Administrador de Taguatinga, Carlos Jales, foi tido como foragido da jusiça

Compensação não apenas ambiental

O principal alvo das investigações do Ministério Público e da Polícia Civil foram as irregularidades no Shopping JK, da construtora Paulo Octávio, no setor M-Norte, entre Taguatinga e Ceilândia. A obra tem data de inauguração prevista para o próximo dia 16, com mais de 200 lojas e cerca de 3 mil empregos diretos. Mas está irregular. Ela não possui Relatório de Impacto de Trânsito (RIT) e a área de infiltração de solo está abaixo do mínimo determinado pela legislação.Outras duas grandes obras, na avenida Comercial Norte e no Pistão Sul também estão sob suspeita, pelos mesmos motivos.

Em Águas Claras, a Paulo Octávio também está na mira dos investigadores, principalmente devido ao condomínio Península, na saída do Pistão Sul para a EPTG. Ali, a via foi desviada porque uma das torres avançou sobre a área pública por onde deveriam passar os carros. Em fevereiro deste ano, a título de “compensação ambiental”, o próprio diretor do grupo, empresário Paulo Octávio, foi a Águas Claras plantar mudas no Parque Ecológico. Outras empresas, que ainda estão sendo investigadas, sequer tiveram esta iniciativa, mas continuam avançando sobre as áreas públicas e no espaço aéreo, construindo apartamentos e lojas acima do que prevê o Plano Diretor Local. O MPDFT tem indícios de que elas dão outro tipo de “compensação” para os agentes públicos das administrações regionais.

Deixe um comentário