Dilma, dê-me um carro elétrico!

Faz algum tempo, se ouvia uma canção que dizia assim: “veja, meu bem/ gasolina vai subir de preço/ eu não quero nunca mais seu endereço/ Ou é o começo do fim/ ou é o fim do começo”. Referida música já não mais toca nas paradas de sucesso. Contudo, jamais perderá seu encanto e conotação e agora é bem possível que retome o lugar de hit, como fundo musical de chamadas para os não-pronunciamentos da presidente Dilma Rousseff, ao ensejo dos próximos aumentos desse produto, o que já é esperado.

O pânico se instala na cabeça dos brasileiros e brasileiras a quem ela se dirige vez em quando, em cadeia de rádio e televisão tal como o fez, para alegrar a alguns corações votantes, como que em cumprimento de promessas de campanha, quando anunciou a redução do preço das taxas de energia elétrica.

É sabido que governar também contempla a arte de contrariar interesses, mas o contrariado, nesse esquema de toma-lá-dá-cá, é sempre o povo, o consumidor, que, não sabe o que é pior, se o diabo ou a coisa ruim, como assim dizia o saudoso Leonel Brizola.

É de pasmar, a benesse concedida com essa inusitada redução de preço da energia, tanto quanto o é a admissão do súbito aumento da gasolina, que, sabe-se, até porque esse filme eu já vi, a subida de preço da gasolina não esbarra somente nela. Vem, também, para os demais derivados do petróleo, que capitania a alta de preço de tudo o que por ele é carreado, do sal ao açúcar, resultando no inexorável inchaço da inflação, cujos patamares, ao que dizem os economistas e pessoas versadas nesse setor, já se verificam crescentes.

De outra sorte, não se pode olvidar que a diminuição do valor que vínhamos pagando às distribuidores de energia elétrica já veio muito tarde. Prudente seria que a senhora presidente determinasse a restituição do que pagamos a mais durante todo o seu governo, até agora. Ou será somente porque não cabia mais nos cofres das companhias distribuidoras tanto dinheiro que ela houve por bem lipoaspirar-lhes as gorduras?

A restituição retroativa, sim, viria a resgatar um pouco do muito que fomos apenados com os preços abusivos praticados até agora. Assim, entre uma elocubração e outra, já que a energia elétrica vai baixar (se é que vai e até quando) e que a gasolina já subiu, permito-me indicar a equação contemporizadora e que a presidente Dilma pudesse encampar, utilizando-se de todas as suas energias positivas: a rápida ampliação da frota automotiva de carros elétricos. Eu, que vez em quando fico à beira do caminho pela falta de gasolina, sou candidato a receber o meu carrinho movido a eletricidade. Até já comprei a tomada e o rabicho. Agora, presidente, só está faltando o carrinho. Dilma, me dê um carro elétrico!

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