Democracia e as redes sociais

Ricardo de Figueiredo Caldas, presidente do Sinfor-DF.

Assisti ao documentário “O Dilema das Redes”, da Netflix, e recomendo aos amigos. São situações que já conhecíamos, lendo aqui e ali a respeito da manipulação que sofremos no uso de redes sociais. 

Entretanto, a riqueza de detalhes narrada por pessoas críveis, quase todas ex-funcionários do alto escalão de empresas como Twitter, Facebook, Google, Pinterest, etc., mostra a forma de manipulação psicológica utilizada contra os clientes – ou melhor, usuários –, como definido no filme. 

O documentário, além de depoimentos reveladores sobre a estratégia reinante nos bastidores, também traz pitadas de humor. Uma delas é dizer que existem apenas duas indústrias que chamam seus clientes de usuários: a de drogas e a de software. 

É denunciado o uso de várias técnicas baseadas em pesquisas psicológicas para criação de vícios, como reforço contínuo e intermitente. Procura-se, através do vício, vender propaganda e, nessa esteira, manipular os clientes. Perdão, os usuários! 

As redes sociais não conseguem dizer o que é a verdade. Apenas reafirmam o que cada usuário acha que é a sua verdade. 

Na verdade, as técnicas de tecnologia persuasiva reafirmam as crenças individuais, por mais loucas que sejam. 

As constatações dessas empresas é de que informações falsas são as que geram interesse. Informações verdadeiras seriam chatas – justificam. 

Portanto, os algoritmos das redes impulsionam o que interessa, em detrimento da verdade. Isso provoca a situação tenebrosa, pela qual não mais sabemos qual foi, realmente, o fato. 

Sociedades com grande uso dessas redes sociais estão sendo enormemente manipuladas. O que veem é uma radical afirmação daquilo que imaginam e pensam. Portanto, creem que suas imaginações são a verdade, levando as sociedades a ficarem fortemente divididas. 

O modus operandi das redes sociais acaba, ao final, promovendo um ataque global contra a democracia. Nações estão sendo divididas porque votaram num ou noutro candidato e os grupos não querem mais conversar uns com os outros, provocando a degradação das democracias. 

Trata-se de um problema com escala global, que acirra os ânimos. Leva à radicalização das opiniões, quando o bom termo é justamente ter uma compreensão compartilhada das opiniões. 

Construímos estas coisas, e agora precisamos ter responsabilidade para modificá-las. É necessário mudar o rumo dos acontecimentos. 

Algumas soluções se apresentam, como o forte regramento, com elaboração legislativa robusta, e até mesmo o banimento das redes. 

Eis um debate de alta relevância, capaz de juntar gregos, troianos e goianos! 

(*) Presidente do Sinfor-DF

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