De olho no Cristo, nos braços de Maria

 

            Fiquei deslumbrado ao pisar pela primeira vez as areias da praia de Copacabana. Nem por isso senti vontade de beijar o solo, como faz o Santo Padre em suas peregrinações.

É certo, também, não tive essa vocação eclesiástica e, menos ainda, oportunidade de mesmo ser ordenado sacerdote, o que não me apeteceria, quiçá, pela imposição do celibato, que tenho dúvida se resistiria às tentações da carne e ao instinto animal da reprodução e perpetuação da espécie.

Houvesse edital de concurso público para ingresso no cardealato, até arriscaria estudar latim e alguma teologia. Enfim, mudar a minha caologia e, ainda que não passasse, teria valido como experiência.

Dos requisitos para acesso a tão promissor cargo, apenas cumpro o da idade. Pena que, a rigor, somente pudesse contar, de agora em diante com dezessete anos de pontificado, eis que sou defensor da vitaliciedade nos cargos e funções públicas, até enquanto quem alcançado por ela esteja razoavelmente produtivo.

Mesmo assim, forçando um pouco a barra (ou muito, em determinados casos), de toda sorte, limitado ao octogenariado. É que, recentemente, completei seis eras mais três unidades – mas nem pareço, né?

Ainda por Copacabana, entre bundas de mulheres esculpidas na areia e outras vivas a balouçar, bêbados escornados próximos aos quiosques, deparo-me com Drummond em bronze, sentado num banco, à beira do calçadão, como que entristecido, porque quem não dispõe de dois reais para pagar o banheiro público é obrigado a mijar no mar e, o pior, conter as outras necessidades primárias, quando não é obrigado a também depositá-las na areia.

De volta à hospedagem, no Humaitá,  Rua Viúva Lacerda, sétimo andar, dormi olhando para o Cristo, nos braços de Maria. Tô bem, não?

Tô bem, não?

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