De braços dados com a morte!

Impressionante como, na apoteose de seus melhores romances Hemingway sempre identificou a figura do personagem central enfrentando a morte, de uma forma ou de outra, mas sempre reagindo com a maior valentia. Curiosamente, o autor, na vida real, nunca demonstrou medo da dita cuja, com quem andava de braços dados. Ela o perseguiu até o trágico final de sua existência.

Ao contrário de outros escritores famosos, Hemingway fazia questão de escolher os belos títulos de suas estórias, a exemplo de “Por quem os sinos dobram”, inspiração nascida no célebre texto do poeta inglês John Donne.

Apontado como um dos melhores livros do escritor, que o ajudou a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura de 1954, o assunto resume a ação de Robert Jordan, membro da Brigada Internacional que lutou contra o general fascista Francisco Franco, na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), conteúdo que o escritor conhecia de perto, porque cobriu jornalisticamente o conflito.

Na ficção, Robert Jordan perde a vida no final de uma ação guerrilheira. E eis a apoteose do final: ele morre empunhando a metralhadora portátil, mas também matando o inimigo. Por mera coincidência, morte sem rendição, também igual à de Thomas Hudson, herói de “As ilhas da corrente”. Esta foi a última obra da longa série de best-sellers, publicada postumamente por iniciativa de sua viúva, a jornalista Mary Welsh, a quarta esposa de Hemingway.

Antes dela, subiram ao altar Pauline Pfeiffer e Mary Gellhorn. Pela ordem, a primeira mulher do escritor foi Elizabeth Hardley, que migrou com o marido para Paris, em 1921, com quem teve o primeiro filho, Jack. Os outros dois, Gregory e Patrick, foram filhos de Pauline.Na verdade, o grande amor de Hemingway foi mesmo Hardley, com quem se corresponderia através de cartas, até o fim de seus dias.

Quanto a esse desenlace, o escritor fez questão de furtar a cena, provando que não tinha medo da morte: depois de colocar o cano de uma espingarda de caça na boca, ele apertou o gatilho com um dos dedos do pé. Esse fato, destacado nas manchetes dos jornais do mundo inteiro, aconteceu em 2 de julho de 1961, em Ketchum, Idaho. Aos 61 anos, Ernest Hemingway cometeu suicídio, tal qual seu pai, apenas com a essencial diferença: o filho continuou imortal!

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