Crescem ataques a jornalistas

Presidente Jair Bolsonaro falando com jornalistas no Palácio da Alvorada. Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) aponta que os ataques a jornalistas e a veículos de imprensa cresceram 54,07% no primeiro ano de governo do presidente Jair Bolsonaro. Em 2018, foram 135, e no ano passado saltou para 208.

O relatório anual “Violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil” revela que Bolsonaro foi responsável pela maior parte do crescimento dessa estatística. Só o presidente fez 121 ataques – 114 ofensas genéricas e generalizados, além de sete agressões diretas a jornalistas.

Segundo a Fenaj, os dados do não apresentam a totalidade dos ataques, uma vez que muitos não são notificados à federação. Dos ataques, 116 foram em mensagens oficiais da Presidência – discursos e entrevistas do presidente transcritos no site do Palácio do Planalto – ou no Twitter de Bolsonaro. Outros cinco casos de agressões ocorreram em entrevistas/conversas com jornalistas que não foram reproduzidas pelo site do Planalto.

“A postura do presidente da República – ou melhor, a falta dela – mostra que, de fato, a liberdade de imprensa está ameaçada no Brasil. O chefe de governo promove, por meio de suas declarações, sistemática descredibilização da imprensa e dos jornalistas. Com isso, institucionaliza a violência contra a imprensa e seus profissionais como prática de governo”, diz a Fenaj.

Além dos ataques verbais, a entidade cita medidas legislativas tomadas pelo presidente contra a imprensa, como a Medida Provisória que elimina a exigência do registro profissional para exercício da profissão de jornalista.

Houve, ainda, aumento nos casos de assassinatos de jornalistas em 2019. Em 2017, não houve qualquer ocorrência, mas em 2018 foram registrados dois casos, mesmo número do ano passado. Ambos são de profissionais de Maricá (RJ). O número de radialistas assassinados caiu de quatro para um.

Também cresceram as injurias raciais. Em 2019 foram dois casos, enquanto em 2018 não houve nenhum registro desse tipo de ataque. As ameaças/intimidações e censuras mantiveram os mesmos índices do ano anterior: 28 e dez casos, respectivamente.

As agressões físicas – tipo de violência mais comum até 2018 – foi uma das categorias em que houve diminuição no número de ocorrências. Foram 15 casos, que vitimaram 20 profissionais, contra 33 ocorrências no ano passado.

Em 2019, foram registradas também 20 agressões verbais, dez casos de impedimentos ao exercício profissional, cinco ocorrências de cerceamento à liberdade de imprensa por meio de ações judiciais e dois casos de violência contra a organização sindical dos jornalistas. Em 2018, foram, respectivamente, 27, 19, dez e três casos.

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