Corrupção sustenta massacre

 

A corrupção também está presente na tragédia de Manaus nos dois primeiros dias do ano. O massacre de 56 presos foi facilitado por causa da propina paga a agentes encarregados de, inclusive, vigiar os detentos. Havia no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) armas de todos os tipos e celulares à vontade. A selvageria foi tamanha — com esquartejamentos e decapitações — que chamou a atenção do mundo inteiro. O Papa Francisco disse que ficou preocupado com a situação.

“Eu não tenho dúvidas em afirmar que houve falha de quem toma conta da penitenciária. Porque senão não teria entrado facão, armamento pesado, bebida e celular. Agora, estender isso a outras autoridades, só se houver prova”, afirmou o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Ele também declarou que o governo do Amazonas sabia sobre a existência de um plano de fuga de presos no final do ano. Durante o massacre, mais de 180 deles fugiram ao longo das 17 horas de motim.

Papa – Ao portal G1, mulheres de diferentes famílias disseram que haviam feito pagamento de até R$ 1 mil para entrar com armas, drogas e celulares. “Os auxiliares cobram R$ 200 para entrar com celular ou droga e R$ 1 mil para entrar com arma”, afirmou uma delas. “Essa história de que tudo entrou por um buraco é mentira e o diretor daqui sabia de tudo o que acontecia”, acrescentou.

“Quero expressar tristeza e preocupação com o que aconteceu. Convido-vos a rezar pelos mortos, pelas suas famílias, por todos os detidos na prisão e por aqueles que trabalham nele”, afirmou o Papa Francisco. “Eu gostaria de renovar o meu apelo para instituições prisionais sejam locais de reabilitação e reintegração social e que as condições de vida dos detidos sejam dignas de seres humanos”, acrescentou o chefe da igreja católica, tocando num grande problema do sistema prisional brasileiro.

Cobrança – Além das repercussões mundo afora, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) em Genebra, na Suíça, divulgou comunicado cobrando das autoridades brasileiras uma investigação “imediata, imparcial e efetiva”. “O que aconteceu em Manaus não é um incidente isolado no Brasil e reflete a situação crônica dos centros de detenção no país. Portanto, nós instamos as autoridades brasileiras a tomarem medidas para prevenir essa violência e para proteger aqueles sob custódia”, diz o comunicado.

 

Retaliação: mais de 30 mortos

O temor das autoridades confirmou-se: ao menos 33 presos foram assassinados na madrugada de sexta-feira (6) na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, a maior de Roraima. De acordo com o secretário de Justiça e Cidadania, Uziel Castro, que foi ao local, não houve rebelião, e a matança seria de responsabilidade integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) que estavam concentrados naquele centro de detenção. Uma retaliação pelo que aconteceu em Manaus.

O grau de selvageria foi idêntico ao que membros da Família do Norte (FDN) demonstraram no massacre no complexo penitenciário de Manaus. Os corpos foram destroçados e vários deles, decapitados. Em Brasília, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, negou relação entre os dois massacres e, até o fechamento desta edição, estava anunciada sua ida a Boa Vista, para acompanhar a situação no estado.

Temer – Quinta-feira (5), depois de o Papa manifestar preocupação com o Brasil, o presidente Michel Temer saiu de seu silêncio absoluto sobre o massacre de Manaus. E acabou virando piada de mau gosto nas redes sociais porque classificou a mortandade de “acidente pavoroso”, ao dizer que as famílias das vítimas têm sua solidaridade.

O presidente aproveitou para tentar tirar o governo federal do centro das atenções. “Não houve uma responsabilidade clara ou definida dos agentes estatais”, disse Temer, salientando a fato de o complexo penitenciário de Manaus ser administrado pela iniciativa privada.

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