Coronel Brilhante após a morte

 

O coronel Brilhante depôs na comissão da verdade, criada para esclarecer os crimes da ditadura militar no Brasil. Ele foi chefe do DOI-CODI do Exército (prisão de presos políticos) e é acusado de tortura e até de ter exibido corpos de militantes assassinados, o que ele nega, embora tenha se comportado com toda arrogância, deixando evidente que, se for verdade o que lhe é imputado, não demonstrou o menor arrependimento. Ele referiu-se aos presos políticos como terroristas.
Não seriam apenas jovens idealistas?
O coronel escapou da justiça criminal porque a anistia o liberou, mas não poderá escapar da indenização às vítimas. A anistia não alcança o direito civil, e por enquanto ele está condenado em R$ 100.000,00, embora tenha recorrido, em vão.
Brilhante Ustra, no entanto, dificilmente escapará também da justiça pós-morte formada, por ex-presos políticos assassinados que aguardam os seus algozes no além.
Sim, toda revolução provoca o surgimento de espíritos revoltados que fundam tribunais no além para aguardar e julgar aqueles que lhes torturaram e os assassinaram.
Na comissão daqui, o coronel se comportou de forma agressiva, mas do outro lado da vida deverá se humilhar, em vão. Exceto se praticar muita caridade para receber a proteção dos bons espíritos.
Coronel Brilhante, sinto muito, mas devo lhe dizer: faça uma boa viagem! Se puder…

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