Coronavírus transforma Dia Mundial da Água em data introspectiva

Foto: Pedro França/Agência Senado

O Dia Mundial da Água de 2020 será um momento introspectivo. Uma oportunidade única para se refletir sobre as relações de cada ser humano com a natureza e o meio ambiente. A data chega inexoravelmente no auge da pandemia mundial do novo Coronavírus (covid-19), fazendo com que as atividades de conscientização sejam realizadas virtualmente, ou seja, pela Internet, nas redes sociais.

O coronavírus tornou impossível a realização de comemorações do Dia Mundial da Água em praça pública, nas ruas, com a participação de muita gente e a realização de atividades educativas. A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) cancelou a programação que iria promover no dia 22 de março.

A Assessoria de Imprensa da Caesb informou que a instituição se reunirá para definir que tipo de atividade irá realizar. Mas tem um grande motivo para comemorar: O Distrito Federal não está com crise de água por um bom tempo. Todavia, a água é um recurso esgotável e a cada ano se torna mais escassa. Em várias regiões do mundo ela já não existe mais.

Reflexão – Diante do quadro de doença com risco de morte se alastrando em rapidez cibernética e das sucessivas crises dos sistemas de saúde, a Terra também manifesta seus primeiros sinais de falência múltipla de órgãos. Há pelo menos três décadas o Planeta enfrenta uma das mais graves crises hídricas já registradas.

O momento é para reflexão. É importante a população saber que, para evitar racionamentos e até mesmo o fim da existência da água na Terra, já que se trata de um recurso natural esgotável, além do uso racional, economizando no dia a dia, a água deve ser vista não apenas no aspecto quantitativo, mas também no qualitativo.

“O que adianta termos um lago com volume máximo de água se suas condições são impróprias para consumo e até para uso recreativo? Portanto, é preciso um trabalho conjunto entre a população e o governo com todos fazendo sua parte”, alerta João Bruno Vidal, ativista ambiental e presidente do Projeto Reflorir.

Numa reunião realizada na sexta-feira (13), os voluntários do Projeto Reflorir que participavam da organização do evento de coleta de lixo e plantio na margem do Lago Paranoá no dia 22 de março, decidiram cancelar o evento por causa do surto de coronavírus. A atividade foi adiada para o dia 7 de junho, durante as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho). A próxima reunião de voluntários será no dia 27 de março, às 19h30, na Administração do Lago Sul.

Vidal explica que vários impactos ambientais negativos comprometem a qualidade e a disponibilidade de água. Dentre eles, destacam-se a grilagem de terra, a falta de saneamento básico, a ocupação urbana desordenada, o desmatamento de Áreas de Preservação Permanente (APP), a impermeabilização do solo impedindo a recarga de lençóis freáticos e aquíferos, a captação indiscriminada de água para agropecuária, o uso de agrotóxicos, a falta de Gestão de Resíduos Sólidos, o despejo irregular de esgoto, e o descarte de lixo na rua ou em qualquer lugar que não seja a lixeira.

Alerta – O ativista ambiental afirma que, se, por um lado, a população deve se responsabilizar por seus atos dentro do seu círculo familiar e comunitário, evitando banhos longos, captando e utilizando água da chuva, destinando corretamente seu lixo, fiscalizando e, quando necessário, denunciando alguma irregularidade que constatar, entre vários outros exemplos.

Por outro lado, o governo deve fazer seu papel cumprindo com as normas estabelecidas, fiscalizando, reprimindo e punindo, quando necessário, qualquer ato criminoso, além de incentivar programas de Educação Ambiental acessíveis a todos, recuperar áreas degradadas de relevância ecológica, etc.

O Projeto Reflorir, em parceria com o Movimento Ocupe o Lago, Bushcraft Brasília, Kayak DF, Viveiro Comunitário do Lago Norte, Viveiro Comunitário do Park Way e outros, iriam promover uma ação consciente de coleta de lixo e plantio na margem do Lago Paranoá, no Deck Norte e no Deck Sul.

Tanto a coleta do lixo como o plantio de árvores nativas da região são fundamentais para alertar a população sobre as condições ambientais do Lago Paranoá. “Há muito lixo acumulado e áreas sem nenhuma vegetação nativa. É preciso retirarmos resíduos que poluem a água, nocivos à fauna aquática e terrestre e que comprometem a nossa saúde. Já os plantios impulsionam a restauração ecológica favorecendo a biodiversidade e contribuindo na proteção da margem, que é uma Área de Preservação Permanente degradada”, justifica.

No dia 7 de junho, as entidades parceiras convidarão a comunidade do Distrito Federal para participar de um ato de consciência ambiental, unindo simpatizantes à causa e incentivando cada vez mais as pessoas a despertarem o sentimento de respeito e do cuidado com a natureza.

Qualquer pessoa pode participar. Basta entrar em contato com os grupos de ambientalistas nas redes sociais. “Estamos nas redes sociais – Facebook e Instagram. Quem tiver interesse em conhecer e participar das nossas atividades pode enviar uma mensagem que logo responderemos”, afirma Vidal.

Os contatos dos grupos ambientalistas são:
Ocupe O Lago: @ocupeolago.
Projeto Reflorir: @projetoreflorir.
Bushcraft Brasília: @bushcraftbrasilia.
Kayak DF: @kayakdfoficial

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