Concessão do Cave: primeiro, os mais velhos

O CCI foi interditado pela Administração Regional na última semana. Foto: Antônio Sabino

O líder comunitário Wilmar Luís protocolou, quarta-feira (21), denúncia no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra o remanejamento do Centro de Convivência dos Idosos (CCI) que funcionava no Centro Administrativo e Vivencial (Cave), no Guará. Por decisão da Administração Regional da cidade, as atividades do grupo foram transferidas para o Salão de Múltiplas Funções, no mesmo complexo.

“Queremos que os idosos permaneçam no Centro de Convivência até que o novo espaço seja entregue. O CCI foi construído há mais de 30 anos com recursos da própria comunidade e agora os usuários tiveram que ir para outro espaço, que não atende às suas necessidades”, argumenta Wilmar Luís. A denúncia está sendo investigada pela Procuradoria do Patrimônio Público e Promotoria de Justiça da Pessoa Idosa do MP.

Privatização

Líderes comunitários e frequentadores do Cave apoiam a iniciativa do líder comunitário por entenderem que a retirada do CCI é o primeiro passo do processo de privatização de todo o sistema, que inclui, ainda, o estádio Antônio Ottoni Filho, o ginásio de esportes e o Kartódromo Ayrton Senna. Eles se mobilizam para barrar a licitação do complexo, que marcada para o dia 12 de abril.

O edital de concessão de uso do Kartódromo do Guará, que abrange a revitalização do CCI, foi publicado no Diário Oficial do DF no dia 7 de março. O futuro concessionário terá que investir R$ 13,9 milhões para realizar a reforma do espaço. Mas a movimentação do GDF para desocupar o espaço, segundo os líderes comunitários, já começou.

Manutenção

A Administração do Guará informou que o CCI foi interditado após a identificação de riscos provenientes da falta de manutenção nas instalações elétricas e estruturais do local. “A administração cedeu o espaço do Salão de Múltiplas Funções, localizado próximo ao centro, e reitera o seu compromisso com a comunidade e, sobretudo, com a preservação da vida dos frequentadores do CCI”, disse a regional em nota.

Os boxes atuais têm espaços para oficinas e depósitos. Foto: Antônio Sabino

Arrancada será no Kartódromo

A arrancada do processo de concessão de uso do Cave será dada pelo Kartódromo. O edital prevê investimento de R$ 13,9 milhões para ampliação da pista, que hoje tem 840 metros, para 1,2 mil metros (tamanho pela exigido Confederação Brasileira de Automobilismo para receber competições), aumento no número de boxes dos atuais 40 para 189 e arquibancada com capacidade para 1,4 mil pessoas.

O atual cessionário do Kartódromo, José Argenta, reclama da forma com que está sendo feita a licitação. “Marcaram uma audiência pública no ano passado em dia de jogo da Seleção Brasileira e houve pouca participação. Temos autorização do GDF e não somos invasores. Não existe outro lugar adequado em Brasília para receber os mecânicos que trabalham aqui”, disse.

Há 32 anos trabalhando no Kartódromo, o mecânico Adão Carvalho, da LB Competições, critica o provável remanejamento dos mecânicos para o Autódromo Internacional Nelson Piquet, no Plano Piloto. “Querem colocar a gente num contêiner de 3 por 6 metros. Hoje, ocupamos um espaço no box de 4 por 8 metros”, reclama. O vizinho de box, Adão Francisco, conhecido como Todinho, quer a manutenção do seu espaço para continuar prestando serviço aos pilotos.

Pilotos

O piloto da categoria sênior Amarildo Xavier, de 59 anos, é contra a concessão do Kartódromo. Ele argumenta que “teriam que indenizar quem já contribuiu para a reconstrução do espaço antes de entregarem para empresários”. Para Xavier, “esse papo de que a reconstrução do Kartódromo vai beneficiar a população é bobagem. Não é um esporte popular. Mesmo melhorando, a quantidade de pilotos não vai aumentar”, aposta.

O ex-piloto de Kart e da Fórmula Indy Vitor Meira conta que passou a infância dirigindo no Kartódromo, que ao longo desse tempo não se modernizou e está defasado. “Os karts ficaram maiores e mais rápidos. A pista que está lá não acompanhou essa evolução. Lá não tem licenças para provas regionais. Se tiver, é bem frágil”, avalia.

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