Comemorar o quê?

Mobilizados e em greve. Foi assim que os professores passaram o dia dos professores. Rollemberg insiste que não tem dinheiro e não vai cumprir com acordos de Agnelo
 

Sinpro (1)Os professores do DF não tiveram o que comemorar na quinta-feira (15), Dia do Professor. A categoria é uma das 32 que lutam para receber os reajustes conquistados na gestão Agnelo Queiroz (PT) e que o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) insiste e não cumprir, alegando falta de recursos. Na quarta-feira (14), diretores do Sinpro-DF foram recebidos por integrantes do GDF para tentar um acordo. Mas não houve avanço e a greve foi deflagrada no dia seguinte. “O governo não apresenta proposta para pagar o reajuste. É um direito nosso, garantido em lei”, alega Rosilene Corrêa, diretora do sindicato.

A assembléia que declarou o início da greve por tempo indeterminado aconteceu na Praça do Relógio, em Taguatinga, e reuniu 2,5 mil servidores, de acordo com a Polícia Militar. Os professores fecharam o trânsito no centro da cidade por cerca de uma hora e escreveram no asfalto a frase “Rollemberg, calote não!”. Do alto do carro de som, um dos diretores do Sinpro disparou: “os professores estão ensinando o governo como se faz uma negociação”.

 

Realidade

O Tribunal de Contas do DF aproveitou o Dia dos Professores para apresentar um relatório que aponta alta carência de docentes e de orientadores educacionais e falhas na qualidade do ensino na capital do país. O estudo apontou que a Secretaria de Educação não tem uma política estruturada para a reposição de professores. Com a falta de concursos públicos – o último foi realizado em 2004 – o número de contratos temporários cresceu de forma desordenada.

De acordo com o Tribunal, existem 7.911 cargos vagos de professores na rede pública e déficit de 361 orientadores educacionais. Pelo menos 662 professores estão atuando em atividades de natureza administrativa e 614 estão cedidos a outros órgãos. A defasagem está adoecendo a categoria, como mostrou um levantamento feito em três estados – Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina – e no Distrito Federal, pelo Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad).

SinproA pesquisa apontou que a Secretaria de Educação é o órgão com o maior percentual de servidores afastados por doenças no DF e em Santa Catarina. O Distrito Federal lidera o índice – 58% dos profissionais foram afastados por motivo de doença pelo menos uma vez no ano. É o caso da professora do Centro de Ensino Fundamental da 316 Norte, em Brasília, Avelina Pereira Neves, que passou dez anos afastada, exercendo outra função na escola, por questões de saúde.

Com 49 anos e 30 de profissão, Avelina pediu aposentadoria para o início do ano que vem. As lágrimas, segundo ela, são menos por deixar a escola e mais por avaliar o que o exercício do magistério lhe causou. A lista de enfermidades inclui problemas gástricos, irritabilidade, problemas nas articulações. “A gente se aposenta e não serve mais para nada. Quando você gosta, cria muitos sonhos, não pensa na dificuldade, só pensa no produto do seu trabalho. Quando acaba, está com a coluna ruim, braços,problemas psiquiátricos, tanta coisa!”. Durante a carreira, a professora ficou afastada dez anos da sala de aula, exercendo outra função na escola, por questões de saúde.

Dentre as doenças que causam mais afastamento dos docentes, a mais frequente é a inflamação das vias respiratórias (17,4%). Mas eles também são acometidos de depressão, ansiedade, nervosismo, síndrome do pânico (14,3%) e estresse (11,7%).

 

Outras greves

Além dos professores, médicos,servidores da saúde, agentes penitenciários,funcionários do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) estão em greve e revindicam o pagamento dos reajustes salariais. Todas as categorias garantem que só voltam a trabalhar com os acordos passados forem cumpridos. As greves afetam serviços essenciais, como as unidades de saúde, o Na Hora e a inversão de vias como na Estrutural e a BR-20 e os Parques de preservação ambiental.

Estima-se que só na Saúde 23 mil funcionários estejam de braços cruzados. Serviços como lavanderias, laboratórios e marcação de consultas estão prejudicados. Os servidores decidiram manter a greve por tempo indeterminado na quinta-feira (15). A presidente do SindiSaúde, Marli Rodrigues, afirma que a categoria votou e decretou “ilegal a greve do governador”, em resposta aos vários pedidos de autoria do governo para judicializar os movimentos grevistas.

Convocados pelo Sindicato dos Médicos (Sindimédicos), centenas de profissionais da rede pública participaram de uma manifestação na manhã de sexta-feira (16) exigindo que o GDF cumpra o acordo com a categoria. “Neste domingo, dia 18 de Outubro, é o Dia do Médico. Comemorar o quê”, questionou o presidente da entidade, Gutemberg Fialho.

 


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