Ciganos do DF ganham mais dignidade

Vítima de preconceito e discriminação por causa de seus costumes e crenças, a comunidade cigana do DF, que por muitos anos foi refém do analfabetismo, ganhou mais um aliado na busca de melhores condições de vida: a educação oferecida em uma tenda do GDF, dentro do acampamento, em Sobradinho.

A comunidade, formada por 150 pessoas distribuídas em 21 famílias, segue a tradição nômade e se muda com frequência. No entanto, há oito anos, os integrantes da etnia Calon se estabeleceram em um terreno de três hectares no Núcleo Rural Córrego do Arrozal, Chácara 163, na BR-020.

Nesse local, onde os ciganos levam uma vida simples ao lado de suas plantações e da criação de pequenos animais, um espaço chama a atenção dos visitantes: a tenda em que, desde o dia 3 de julho, são oferecidas aulas de alfabetização e onde 40 alunos ganharam uma nova visão de mundo pelo conhecimento.

Para a maior parte dos ciganos que fizeram o curso de alfabetização, a iniciativa do GDF representa o fim de situações vexatórias vivenciadas por eles cotidianamente pelo fato de não serem instruídos e de não saberem, por exemplo, assinar o próprio nome em um documento de identificação.

REJEIÇÃO – A maior parte dos ciganos da comunidade instalada em Sobradinho não é alfabetizada. Alguns, assim como Moura, chegaram a frequentar escolas regulares, mas, pelo fato de serem mais velhos e não alfabetizados, foram alocados em turmas com crianças, o que, pelas desigualdades, os fez desistir.

A saída encontrada pelo governo local para proporcionar a inclusão desse grupo foi criar a “Tenda Escola”, que formou seus primeiros 50 alunos na semana passada, com direito a solenidade no Teatro de Sobradinho.

Para o líder da Associação Cigana da Etnia Calon do DF, Elias da Costa, ao participar das atividades oferecidas pelo GDF, a comunidade tem mais chances de desenvolvimento, de conseguir melhorias e de lutar pelas causas defendidas pela cultura cigana.

“O governo desempenhou um papel muito importante, porque sofríamos constantes discriminações por não sermos alfabetizados. Agora, todos eles terão a chance de ir a uma escola e continuar estudando”, acrescentou Elias da Costa.

De acordo com o secretário de Promoção da Igualdade Racial, Viridiano Custódio, é função do Estado promover ações que mudem a vida de pessoas, como os ciganos, que eram excluídos socialmente pelo simples fato de não saberem ler ou escrever.

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