Chuvas no DF estão 40% abaixo da média histórica em dezembro, diz Inmet

Termômetro no centro de Brasília marca temperatura de 33 ºC, em imagem de arquivo (Foto: Vianey Bentes/TV Globo)

As chuvas esparsas e o calor forte registrados ao longo do último mês no Distrito Federal não têm sido suficientes para dar um alívio à crise hídrica enfrentada pela capital, desde o início do ano. Entre o dia 1º e a última quarta (28), o Instituto Nacional de Meteorologia registrou 148 mm de chuvas no DF – o número corresponde a 60% da média histórica para o mês, que é de 246 mm.

Segundo o meteorologista do Inmet Hamilton Carvalho, tudo indica que o DF vai fechar o mês – e o ano de 2016 – com menos chuvas que a média da região. Isso aconteceu porque, ao longo do último mês, o DF enfrentou um fenômeno conhecido como “veranico”, que corresponde a uma estiagem entre os períodos de chuva.

“Esse veranico pode acontecer entre dezembro e janeiro, mas não acontece todo ano. Tivemos agora, ficamos uns dez dias sem chuva. Agora, as chuvas voltaram e devem se estender até o fim de semana”, conta Carvalho.

Nesta quarta, um temporal rápido que atingiu a área central do DF provocou estragos na Asa Sul e na Candangolândia. Árvores caíram com o vento forte, e a parede de um prédio desabou parcialmente. O meteorologista explica que essas pancadas fortes e de pouca duração também são comuns do período, e devem voltar a acontecer.

 

Na virada do ano, entre sábado (31) e domingo (1º), a chuva deve dar uma trégua, mas pancadas isoladas podem acontecer em algumas regiões do DF. Como a formação das nuvens e a precipitação ocorrem em um período muito curto, ao longo de poucas horas, os meteorologistas não conseguem prever os locais exatos com antecedência de dias.

 

O calor forte também incomodou os brasilienses nos últimos dias mas, segundo Cavalcante, as temperaturas registradas não estão “fora da curva”. Em média, as temperaturas mínimas giraram em torno dos 20 ºC, e as máximas, entre 28 ºC e 30 ºC. O que muda, nessa época do ano, é a sensação térmica.

“Quando você tem umidade e calor, vem aquela sensação de sauna que é bastanter desagradável no dia a dia. Na temporada de seca, a temperatura é parecida, mas a sensação é diferente por causa da baixa umidade. Aí, o desconforto também aparece, mas está relacionado a problemas respiratórios”, diz.

Janeiro mais calmo

O quadro de estiagem só deve ser revertido, de fato, a partir de janeiro. Na série histórica do DF, o primeiro mês do ano concentra o maior índice de chuvas, com média de 247,44 mm. Até esta quarta, o Inmet ainda não conseguia prever, com precisão, se esse índice seria ou não alcançado.

O meteorologista Alexandre Nascimento, do Climatempo, diz que o verão de 2017 terá predomínio de temporais e temperaturas mais amenas em relação aos anos anteriores em todo o país.

“A situação será muito diferente dos últimos anos, quando o Brasil teve graves problemas por causa da falta de chuva no verão. Já está chovendo e está bem menos quente do que em 2015 e 2014”, informou o site do Climatempo.

 

A maior parte das chuvas se concentrará em janeiro e fevereiro. O verão terá o predomínio do fenômeno La Niña, que começou no final de novembro e vai enfraquecer até o final do verão. Esse fenômeno mudará o cenário em comparação com o verão anterior, quando choveu mais no Sul e fez muito calor em todo o Brasil.

“No ano passado havia um forte El Niño, o mais forte do século e o segundo mais forte da história. Neste ano há uma La Niña fraca formada que ao longo do verão 2017 deve se desfazer. Além disso, a temperatura do Oceano Atlântico não está atrapalhando o deslocamento das frentes frias. E a circulação dos ventos na alta atmosfera já está favorecendo a distribuição do ar úmido sobre o país, permitindo a formação das grandes áreas de chuva sobre o Centro-Oeste e sobre o Sudeste”, informou o meteorologista, em matéria divulgada no site do instituto.

Crise hídrica

As chuvas esparsas ao longo da semana não têm ajudado a recompor o nível dos reservatórios de Santa Maria e do Descoberto, que abastecem 8 em cada 10 casas do DF. Nesta quarta, o armazenamento de água nos dois tanques caiu.

Segundo a medição da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento (Adasa), o Descoberto operava com 23,10% da capacidade no início da tarde de terça (27). Nesta quarta, o número caiu para 22,91%, pouco acima do nível de alerta, que é de 20%. Em Santa Maria, o preenchimento do tanque passou de 42,75% para 42,67%.

Nesta terça, a Caesb emitiu uma nota dizendo que a recuperação do Descoberto depende de mais chuvas. Responsável pelo abastecimento das casas, a companhia pede que a população faça o uso racional da água.

“Precisamos assegurar e manter a consciência sobre o uso racional para reduzirmos o desperdício. Observamos que temos conseguido diminuições de 14% [no consumo], mas esperamos que cresça para 15% a 20%. Essa consciência da necessidade da preservação desse recurso hídrico, que é um recurso finito, é extremamente importante”, diz o presidente da companhia, Maurício Luduvice.

 

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