Chico Xavier: “Escreva aí que sou zero”

Só os iniciados entendem a frase de Chico Xavier que está no título deste texto. Ele fala da morte do ego, sem a qual não é possível o desenvolvimento espiritual. Ego, ‘iniciaticamente’ falando, é o conjunto de ilusões que dão à pessoa uma importância que ela não a tem. Por isso, o trabalho principal do Mestre é acabar com o Ego do discípulo.

Assim fez Emmanuel em relação ao próprio Chico. Ao moço rico que queria seguir Jesus, o Mestre pede que ele dê seus bens aos pobres. Ele desiste. Ao discípulo que queria ser iniciado, um Mestre ordena que ele vá limpar o banheiro, e em seguida, buscar lenha no mato. O discípulo desiste.

Tarefas aparentemente humilhantes são táticas usadas pelos Mestres para eliminar curiosos e, ao mesmo tempo, livrar os discípulo das ilusões de importância. No meio espírita, o médium só recebe o mandato mediúnico após, no mínimo, dez anos de dedicação de estudo e trabalho espirituais.

Ao discípulo ou médium que não se empenha para livrar-se do Ego, a queda é certa. Não há desenvolvimento espiritual sem humildade. Iniciação e desenvolvimento espirituais acontecem para que cada candidato melhore-se como ser humano e colabore com seu próximo. Ao conflito que se estabelece na caminhada, São Paulo o chamou de “bom combate”. O bom combate é entre você e você; o Ego e o Eu Real; o passado e o presente.

Aos conflitos seguem-se as crises que provocam desânimo, revoltas, dúvidas e desconfianças. O desenvolvimento só é possível com ajuda de um Mestre encarnado ou desencarnado. Os Mestres são muito exigentes como o foi Emmanuel.

Logo no início, alertou Chico Xavier: “Vamos trabalhar juntos. Inicialmente quero de você três virtudes: Disciplina, disciplina e disciplina. Se algum dia eu falar algo em desacordo com Kardec e Jesus, fique com eles. Ao passar por um bêbado e baixar a cabeça para não cumprimentá-lo, Emmanuel o advertiu. Ele notou. Volte e cumprimente-o.

Ao comparar-se a um verme, o repreendeu: eles já cumprem seu dever. Você já cumpre o seu? Ao chorar pela irmã internada no hospício, o chamou para uma grande visão: “O hospício sempre esteve cheio de suas irmãs e nunca te vi chorando por nenhuma delas”.

“Ainda não sou o que quero ser, mas, pela graça de Deus, não sou mais quem eu fui”, ensinou São Paulo.

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